IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 58 anos de idade, comparece em consulta ambulatorial por hematoquezia há duas semanas. Nega perda ponderal. Tem antecedente pessoal de obesidade grau I, diabetes mellitus tipo 2 e tabagismo com carga tabágica de 30 anos/maço. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, descorada 2+/4+. O abdome está globoso, flácido e indolor. Ao exame proctológico, não tem lesões tocáveis, com presença de mamilo hemorroidário em região póstero-lateral direita, sem exteriorização durante manobra de Valsalva. Trouxe exames laboratoriais recentes, revelando Hb 9,2g/dL, sem demais alterações. Qual é a conduta recomendada para essa paciente?
Hematoquezia + anemia + fatores de risco para câncer colorretal (idade > 50, tabagismo, DM) → SEMPRE investigar com colonoscopia.
A hematoquezia em pacientes com fatores de risco para câncer colorretal (idade > 50 anos, tabagismo, diabetes, obesidade) e anemia associada, mesmo com achados hemorroidários, exige investigação completa com colonoscopia para excluir lesões mais proximais e malignas. Não se deve assumir que o sangramento é apenas hemorroidário.
A hematoquezia, definida como a eliminação de sangue vivo pelo ânus, é um sintoma que sempre demanda investigação, especialmente em pacientes com fatores de risco para neoplasias colorretais. Embora hemorroidas sejam uma causa comum, é crucial não atribuir o sangramento a elas sem excluir patologias mais graves, como o câncer colorretal, que é a terceira neoplasia mais comum no Brasil. No caso apresentado, a paciente possui múltiplos fatores de risco para câncer colorretal: idade (>50 anos), tabagismo (30 anos/maço), obesidade grau I e diabetes mellitus tipo 2. Além disso, a presença de anemia (Hb 9,2g/dL) sugere um sangramento crônico e clinicamente significativo, que não pode ser simplesmente atribuído a um mamilo hemorroidário sem uma investigação mais aprofundada. A colonoscopia é o exame padrão-ouro para investigar sangramento do trato gastrointestinal inferior, permitindo a visualização direta da mucosa, a biópsia de lesões suspeitas e a remoção de pólipos. Em pacientes com hematoquezia e fatores de risco para câncer colorretal, a colonoscopia é a conduta mais recomendada para um diagnóstico preciso e precoce, garantindo o tratamento adequado e melhorando o prognóstico.
Fatores de risco incluem idade avançada (>50 anos), histórico familiar de câncer colorretal, tabagismo, obesidade, diabetes mellitus, doença inflamatória intestinal e pólipos adenomatosos prévios.
Hemorroidas são uma causa comum de sangramento, mas sua presença não exclui a coexistência de lesões mais proximais no cólon, como pólipos ou câncer, que podem ser a verdadeira causa da hematoquezia e anemia, especialmente em pacientes com fatores de risco.
A anemia (especialmente ferropriva) em um paciente com hematoquezia sugere sangramento crônico e significativo, que pode ser proveniente de lesões no trato gastrointestinal inferior, reforçando a necessidade de uma investigação endoscópica completa, como a colonoscopia.
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