UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2018
Eletricista de 45 anos vítima de choque elétrico e queda de 5 metros de altura dá entrada inconsciente, com colar, imobilizado, Glasgow 5. Após intubação, com saturação 99%, o paciente tem FC 100, PA: 120x80. Realizou TC de crânio que mostrou a imagem abaixo.Sobre o caso clínico acima, é correto afirmar que:
TCE grave (Glasgow ≤ 8) + Hematoma Subdural → Abordagem cirúrgica urgente para descompressão.
Um paciente com traumatismo cranioencefálico grave (Glasgow 5) e evidência de hematoma subdural na TC de crânio necessita de avaliação neurocirúrgica urgente e, muito provavelmente, de intervenção cirúrgica para descompressão e evacuação do hematoma, visando reduzir a pressão intracraniana e prevenir lesão cerebral secundária.
O hematoma subdural (HSD) é um acúmulo de sangue entre a dura-máter e a aracnoide, geralmente resultante do rompimento de veias em ponte após um traumatismo cranioencefálico (TCE). É uma das lesões mais comuns e graves em TCE, com alta morbimortalidade, especialmente em idosos e pacientes em uso de anticoagulantes. A importância clínica reside na sua capacidade de causar compressão cerebral e aumento da pressão intracraniana (PIC), levando a lesão cerebral secundária. A fisiopatologia envolve o sangramento venoso, que se acumula lentamente ou rapidamente, dependendo da intensidade do trauma e da fragilidade vascular. O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada (TC) de crânio, que tipicamente mostra uma coleção em formato de crescente. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com TCE e alteração do nível de consciência, especialmente com Glasgow ≤ 8. O tratamento do HSD agudo é frequentemente cirúrgico, com craniotomia para evacuação do hematoma, especialmente em casos de rebaixamento do nível de consciência, sinais de herniação ou hematomas volumosos. O manejo da PIC, suporte intensivo e monitorização neurológica são cruciais no pós-operatório para otimizar o prognóstico e prevenir complicações.
Os sinais incluem rebaixamento do nível de consciência, cefaleia intensa, vômitos, déficits neurológicos focais, anisocoria (pupilas de tamanhos diferentes) e, em casos graves, sinais de herniação cerebral, indicando aumento da pressão intracraniana.
O hematoma subdural geralmente tem formato de crescente (lua), cruza as linhas de sutura, mas não cruza a linha média. O hematoma epidural tem formato biconvexo (lenticular) e não cruza as linhas de sutura, mas pode cruzar a linha média.
A cirurgia é indicada para hematomas subdurais agudos com espessura >10 mm ou desvio da linha média >5 mm, ou em pacientes com Glasgow <9 e anisocoria, ou deterioração neurológica progressiva, visando a descompressão cerebral.
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