Hematoma Subdural Crônico em Idosos: Diagnóstico e Manejo

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024

Enunciado

Um médico é chamado para atender em domicílio um homem de 85 anos de idade. Familiares relatam que o paciente era lúcido e plenamente funcional até há 15 dias, mas apresentou mudança gradual no comportamento desde então: parou de dar atenção às netas, por vezes parece estar desorientado, repete as mesmas perguntas a seus filhos, tem dificuldade para vestir-se sozinho e aparenta certo desequilíbrio ao se levantar do sofá – motivo pelo qual solicitaram que a consulta ocorresse no domicílio. Há um dia, o paciente tem deixado cair objetos, quando os segura com a mão direita. O paciente não tem história de doença psiquiátrica prévia; é diabético (usa metformina XR 850 mg por dia) e consome álcool esporadicamente, nos finais de semana. As aferições das glicemias capilares ao longo do dia resultaram normais na última semana. O filho relata que o paciente sofreu uma queda há um mês – escorregou num estacionamento, sem maiores consequências. Na ocasião, foi submetido a uma sutura na região frontal direita e a uma radiografia de crânio, que resultou normal. Qual o diagnóstico provável para o caso e o exame complementar indicado para confirmá-lo, respectivamente? 

Alternativas

  1. A) Encefalopatia de Wernicke-Korsakoff; dosagem de tiamina sérica.
  2. B) Doença de Alzheimer; avaliação neuropsicológica.
  3. C) Hidrocefalia de pressão normal; teste de Miller-Fisher.
  4. D) Delirium; eletroencefalograma.
  5. E) Hematoma subdural crônico; tomografia de crânio.

Pérola Clínica

Idoso + queda prévia + alteração cognitiva subaguda/flutuante + sinais focais → Hematoma subdural crônico (TC crânio).

Resumo-Chave

O hematoma subdural crônico (HSDC) deve ser sempre suspeitado em idosos com alterações cognitivas subagudas, desequilíbrio ou sinais neurológicos focais, especialmente se houver história de trauma craniano leve recente (mesmo que "sem maiores consequências"). A TC de crânio é o exame padrão-ouro para o diagnóstico.

Contexto Educacional

O hematoma subdural crônico (HSDC) é uma condição neurocirúrgica comum em idosos, caracterizada pelo acúmulo gradual de sangue entre a dura-máter e a aracnoide. Sua incidência aumenta significativamente com a idade, principalmente devido à atrofia cerebral, que estira as veias-ponte, tornando-as mais suscetíveis a rupturas mesmo com traumas cranianos mínimos ou imperceptíveis. A apresentação clínica é frequentemente insidiosa e inespecífica, o que pode levar a atrasos no diagnóstico. Os sintomas do HSDC podem mimetizar outras condições geriátricas, como demência, delirium, acidente vascular cerebral ou hidrocefalia de pressão normal. Pacientes podem apresentar alterações cognitivas (desorientação, confusão, perda de memória), cefaleia, desequilíbrio, quedas, e sinais neurológicos focais como hemiparesia ou afasia, que podem flutuar ao longo do dia. A história de um trauma craniano prévio, mesmo que leve e ocorrido semanas ou meses antes, é um dado crucial, mas nem sempre é relatada ou lembrada pelo paciente ou familiares. Diante de um idoso com alteração do estado mental subaguda ou progressiva, desequilíbrio e/ou sinais neurológicos focais, o HSDC deve ser sempre considerado no diagnóstico diferencial. A tomografia computadorizada (TC) de crânio é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, revelando a coleção de sangue que pode variar em densidade dependendo do tempo de evolução. O tratamento geralmente envolve drenagem cirúrgica, e o prognóstico é bom se diagnosticado e tratado precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para hematoma subdural crônico em idosos?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, atrofia cerebral, uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, alcoolismo e história de trauma craniano, mesmo que leve e esquecido.

Por que o hematoma subdural crônico pode ter um início insidioso?

O sangramento venoso lento e a atrofia cerebral em idosos permitem que o hematoma se acumule gradualmente, causando sintomas que podem ser confundidos com demência ou outras condições, manifestando-se semanas ou meses após o trauma inicial.

Qual a importância da tomografia de crânio no diagnóstico do hematoma subdural crônico?

A tomografia de crânio é o exame de imagem de escolha para diagnosticar o hematoma subdural crônico, mostrando a coleção de sangue entre a dura-máter e a aracnoide, que pode ser hipo, iso ou hiperdensa dependendo da fase.

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