Hematoma Subdural Agudo: Fisiopatologia e Manejo no TCE

CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 24 anos de idade, é trazido, pelo SAMU, vítima de queda de moto em via expressa há 30 minutos. Dá entrada no pronto socorro com colar cervical e prancha rígida, referindo cefaleia, náusea e vômitos. Ao exame, apresenta parâmetros ABCDE do trauma: A: Via aérea pérvia, mantido colar cervical, SatO2 : 96% com cateter de O2 15L/min; B: murmúrios vesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR: 20ipm; C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 88bpm, PA: 118x74mmHg, abdome indolor à palpação, pelve estável e toque retal sem alterações; D: escala de coma de Glasgow = 9, pupila direita midriática e pouco reagente, hemiplegia esquerda; E: escoriações, abaulamento e dor à palpação em região parietotemporal direita do couro cabeludo. Foi realizada tomografia de crânio.De acordo com o caso descrito e com o exame de imagem, Identifique a fisiopatologia da alteração intracraniana identificada no exame de imagem.

Alternativas

  1. A) Ruptura da artéria meníngea média.
  2. B) Ruptura de vasos superficiais do córtex cerebral.
  3. C) Lesão do parênquima cerebral.
  4. D) Ruptura de vasos no espaço subaracnoide.

Pérola Clínica

Midríase ipsilateral + hemiplegia contralateral + trauma → Herniação uncal (frequentemente por hematoma subdural).

Resumo-Chave

O hematoma subdural agudo decorre da ruptura de veias em ponte ou vasos corticais superficiais, apresentando-se como uma coleção hiperdensa em formato de crescente na TC.

Contexto Educacional

O hematoma subdural agudo (HSA) é uma das lesões intracranianas mais graves no traumatismo cranioencefálico (TCE). Diferente do hematoma epidural, o HSA frequentemente está associado a danos parenquimatosos subjacentes significativos, o que explica sua maior taxa de mortalidade. O quadro clínico clássico envolve rebaixamento do nível de consciência e sinais de lateralização decorrentes da hipertensão intracraniana e herniação cerebral. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada de crânio sem contraste. O manejo envolve a estabilização das vias aéreas (especialmente se Glasgow ≤ 8), controle da pressão intracraniana e, em muitos casos, intervenção neurocirúrgica imediata para evacuação do hematoma. A rapidez no diagnóstico e tratamento é o principal determinante do prognóstico neurológico do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre hematoma subdural e epidural na TC?

O hematoma subdural apresenta um formato de crescente (côncavo-convexo) e pode cruzar as linhas de sutura craniana, mas não as reflexões durais. Já o hematoma epidural possui formato biconvexo (lenticular), é limitado pelas suturas cranianas e geralmente está associado à ruptura da artéria meníngea média.

Por que ocorre midríase no trauma craniano com efeito de massa?

A midríase ocorre devido à herniação do uncus (lobo temporal), que comprime o III par craniano (nervo oculomotor) ipsilateral à lesão. Isso interrompe as fibras parassimpáticas que realizam a constrição pupilar, resultando em uma pupila dilatada e pouco reagente.

Qual o mecanismo fisiopatológico do hematoma subdural agudo?

O mecanismo principal é a aceleração e desaceleração brusca da cabeça, que causa o cisalhamento das veias em ponte (bridging veins) que drenam do córtex cerebral para os seios durais, ou por lesão direta de vasos corticais superficiais associados a contusões cerebrais.

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