HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2022
Paciente de 64 anos é vítima de queda do telhado, de aproximadamente 10 metros de altura. É atendido pela equipe de atendimento pré-hospitalar que realiza intubação traqueal na cena devido a rebaixamento do nível de consciência e episódio de convulsão com risco de broncoaspiração. No momento do atendimento apresentava-se sem abertura ocular a qualquer estímulo, sem resposta verbal, com movimentos de extensão anormal. É transferido, então, a referência de trauma mais próxima e realizado o exame tomográfico abaixo, sem contraste endovenoso. A lesão encontrada na tomografia trata-se de:
Hematoma Subdural = Sangramento venoso (veias em ponte) + Imagem em crescente (côncavo-convexo).
O hematoma subdural agudo resulta do rompimento de veias em ponte e apresenta-se na TC como uma coleção hiperdensa que pode cruzar as suturas cranianas.
O hematoma subdural agudo (HSA) é uma das lesões intracranianas mais graves no trauma, frequentemente associada a lesão axonal difusa e edema cerebral subjacente. O paciente do caso apresenta um mecanismo de trauma grave (queda de 10 metros) e sinais de herniação ou hipertensão intracraniana grave (extensão anormal/decerebração). Na tomografia de crânio, o HSA manifesta-se como uma coleção hiperdensa (branca) entre a dura-máter e a aracnoide. Diferente do hematoma epidural, o subdural não é limitado pelas suturas cranianas, o que permite que o sangue se espalhe por uma área maior, exercendo efeito de massa significativo e risco iminente de herniação uncal.
A causa mais comum é o traumatismo cranioencefálico (TCE) de alta energia, que provoca a aceleração e desaceleração do parênquima cerebral, levando ao estiramento e ruptura das veias em ponte (veias corticais que drenam para os seios durais) no espaço subdural.
O hematoma subdural apresenta formato de 'crescente' ou côncavo-convexo, podendo se estender por toda a convexidade de um hemisfério pois cruza as suturas cranianas. Já o hematoma epidural tem formato biconvexo (lenticular), é limitado pelas suturas e geralmente está associado a fraturas ósseas e lesão da artéria meníngea média.
As indicações clássicas incluem espessura do hematoma > 10 mm ou desvio da linha média > 5 mm na TC, independentemente da pontuação na Escala de Coma de Glasgow (GCS). Pacientes com GCS < 9 e queda rápida do nível de consciência também devem ser avaliados para intervenção imediata.
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