Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021
Homem de 31 anos sofreu acidente automobilístico rotacional há 10 minutos (estava num veículo, de carona, e sem cinto de segurança) e deu entrada na emergência apresentando ferimento lácero-contuso em região temporal esquerda; no exame neurológico: gemidos incompreensíveis, abertura ocular sem resposta e localizava a dor. Sinais vitais normais. Após receber o atendimento inicial, onde foram afastadas lesões orgânicas graves de outros compartimentos, foi encaminhado para realização de tomografia de crânio (imagem mostrada a seguir). Em relação ao caso, o diagnóstico e a conduta correta a ser tomada são, respectivamente:
TCE grave (GCS ≤ 8) + hematoma subdural agudo com hemorragia parenquimatosa → craniotomia para remoção cirúrgica.
Em um paciente com trauma cranioencefálico grave (GCS ≤ 8) e evidência de hematoma subdural agudo com hemorragia parenquimatosa na tomografia, a conduta prioritária é a remoção cirúrgica por craniotomia. O hematoma subdural agudo resulta de ruptura de veias em ponte, e a hemorragia parenquimatosa indica lesão cerebral mais extensa, exigindo descompressão e evacuação para reduzir a pressão intracraniana e prevenir danos secundários.
O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em jovens, e o hematoma subdural agudo (HSDa) representa uma das lesões intracranianas mais graves. Resultante da ruptura de veias em ponte que atravessam o espaço subdural, o HSDa leva ao acúmulo de sangue entre a dura-máter e a aracnoide, causando compressão cerebral e aumento da pressão intracraniana. A alta energia do trauma, como em acidentes automobilísticos rotacionais, é um fator de risco significativo. O diagnóstico do HSDa é feito por tomografia computadorizada de crânio, que revela uma coleção hiperdensa em forma de crescente. A associação com hemorragia parenquimatosa indica uma lesão cerebral mais difusa e grave, piorando o prognóstico. A avaliação neurológica, utilizando a Escala de Coma de Glasgow (GCS), é crucial para determinar a gravidade do TCE; um GCS de 8 ou menos é indicativo de TCE grave e frequentemente requer intervenção imediata. A conduta para o HSDa é, na maioria dos casos, cirúrgica, por meio de craniotomia para evacuação do hematoma e descompressão cerebral. O objetivo é reduzir a pressão intracraniana, prevenir danos cerebrais secundários e melhorar o prognóstico. O manejo pós-operatório envolve monitorização intensiva e controle da pressão intracraniana. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente essa condição e iniciar o tratamento adequado, pois o tempo é um fator crítico para a recuperação do paciente.
Os sinais e sintomas de um hematoma subdural agudo podem incluir cefaleia progressiva, alteração do nível de consciência (como no caso, GCS 8), hemiparesia, anisocoria e convulsões. Eles geralmente se desenvolvem rapidamente após o trauma, refletindo o aumento da pressão intracraniana.
Na tomografia, o hematoma subdural agudo classicamente apresenta-se como uma coleção em forma de crescente (lua crescente) que cruza as linhas de sutura, mas não cruza os sulcos corticais. O hematoma epidural, por outro lado, tem formato biconvexo (lenticular) e não cruza as linhas de sutura, pois está limitado pela aderência da dura-máter ao crânio.
A craniotomia para evacuação de hematoma subdural agudo é indicada em pacientes com GCS menor ou igual a 8, hematoma com espessura maior que 10 mm ou desvio de linha média maior que 5 mm, ou em casos de deterioração neurológica progressiva, independentemente do tamanho do hematoma.
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