CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2021
Paciente de 37 anos é trazido ao pronto-socorro após queda do telhado de aproximadamente 7 metros. Acompanhante relata que apresentou convulsões no local.Ao exame de entrada: vias aéreas pérvias, sem sinais de obstrução, com colar cervical; murmúrio vesicular presente difusamente no hemitórax direito e esquerdo, sem alterações à percussão ou palpação. Estável hemodinamicamente, com bulhas rítmicas, não abafadas. Ao exame neurológico, apresentava abertura ocular ao estímulo doloroso, emitia sons incompreensíveis e localizava o estímulo doloroso. Este mesmo paciente foi submetido à tomografia de crânio abaixo, sem contraste endovenoso. A imagem tomográfica é sugestiva de:
Hematoma subdural agudo: coleção sanguínea em forma de crescente na TC, comum após trauma, associado a lesão venosa.
O paciente sofreu um trauma cranioencefálico grave (queda de 7m, GCS 10, convulsões). Hematomas subdurais agudos são coleções de sangue entre a dura-máter e a aracnoide, geralmente de origem venosa, e aparecem como uma lesão hiperdensa em forma de crescente na tomografia de crânio. São comuns após traumas de alta energia e podem causar deterioração neurológica rápida.
O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo, e a avaliação rápida e precisa das lesões intracranianas é crucial para o prognóstico do paciente. O caso apresentado descreve um TCE grave, com mecanismo de alta energia (queda de 7 metros) e sinais de lesão cerebral (convulsões, alteração da consciência com GCS 10). A tomografia de crânio (TC) sem contraste é o exame de imagem de escolha na avaliação inicial do TCE. Entre as diversas lesões que podem ocorrer, o hematoma subdural agudo (HSDa) é uma coleção de sangue que se forma entre a dura-máter e a aracnoide. Geralmente resulta da ruptura de veias em ponte, sendo, portanto, de origem venosa. Na TC, o HSDa tipicamente se apresenta como uma lesão hiperdensa (branca) em forma de crescente, que se molda à superfície cerebral e pode se estender por grandes áreas, cruzando as linhas de sutura, mas respeitando as pregas durais como a foice cerebral. Sua apresentação clínica pode variar de cefaleia leve a coma profundo, dependendo do tamanho e da velocidade de formação. Para residentes, é vital diferenciar o HSDa de outras lesões, como o hematoma epidural (que é biconvexo/lenticular e geralmente não cruza as suturas, sendo arterial). O manejo do HSDa depende do seu volume, do efeito de massa e do estado neurológico do paciente, podendo variar de observação a craniotomia de emergência para drenagem. O conhecimento dessas características e a capacidade de interpretá-las rapidamente na TC são habilidades essenciais para qualquer profissional que atue em pronto-socorro ou neurocirurgia.
Na tomografia de crânio sem contraste, o hematoma subdural agudo aparece como uma coleção hiperdensa (branca) em forma de crescente, que se estende sobre a superfície cerebral e pode cruzar as linhas de sutura, mas não cruza a linha média (foice cerebral).
A principal causa é o trauma cranioencefálico, resultando na ruptura de veias em ponte que atravessam o espaço subdural, conectando o córtex cerebral aos seios durais. É mais comum em idosos e alcoólatras devido à atrofia cerebral e maior fragilidade vascular.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente (ABC), avaliação neurológica com Escala de Coma de Glasgow, realização de tomografia de crânio de emergência e consulta neurocirúrgica imediata para avaliação da necessidade de drenagem cirúrgica, especialmente se houver sinais de herniação ou deterioração neurológica.
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