CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2013
Paciente submetida a blefaroplastia superior e inferior há 6 horas, procura serviço médico com quadro evidentemente assimétrico de edema, equimose, dor e proptose à esquerda. Assinale a alternativa correta:
Proptose + dor + edema súbito pós-blefaroplastia = Hematoma retrobulbar (emergência).
O hematoma retrobulbar é uma complicação grave que causa síndrome compartimental orbitária. Fatores como uso de Ginkgo biloba aumentam o risco de sangramento inadvertido.
A blefaroplastia, embora seja um procedimento estético comum, não é isenta de riscos graves. O hematoma retrobulbar ocorre geralmente nas primeiras horas após a cirurgia, muitas vezes devido ao sangramento de vasos profundos após a manipulação das bolsas de gordura orbitárias. A tração excessiva ou a cauterização inadequada desses vasos são causas técnicas frequentes. Além da técnica cirúrgica, o perfil do paciente é determinante. Hipertensão arterial não controlada no pós-operatório e o uso de substâncias que alteram a coagulação (Aspirina, AINEs, Ginkgo biloba) são fatores de risco críticos. O reconhecimento precoce pelo residente e a ação rápida através da cantotomia lateral são os únicos meios de prevenir a cegueira irreversível decorrente da síndrome compartimental orbitária.
Os sinais cardinais incluem dor ocular intensa e progressiva, proptose súbita (frequentemente assimétrica), edema bipalpebral tenso, equimose, diminuição da acuidade visual e, em casos avançados, midríase (defeito pupilar aferente relativo) e restrição da motilidade ocular. É uma emergência médica, pois o aumento da pressão intraorbitária pode levar à oclusão da artéria central da retina ou neuropatia óptica isquêmica.
O Ginkgo biloba é um fitoterápico que possui propriedades antiagregantes plaquetárias. Seu uso pode prolongar o tempo de sangramento e aumentar o risco de hemorragias trans e pós-operatórias, como o hematoma retrobulbar em cirurgias palpebrais ou orbitárias. Recomenda-se a suspensão de tais substâncias pelo menos 7 a 14 dias antes de procedimentos cirúrgicos eletivos para minimizar riscos hemorrágicos.
A conduta deve ser imediata e visa a descompressão da órbita. No leito ou consultório, realiza-se a cantotomia lateral seguida de cantólise (seccionamento do ramo inferior do tendão cantal lateral). Se não houver melhora, pode ser necessária a exploração cirúrgica para drenagem do hematoma e cauterização de vasos sangrantes. O tratamento clínico com corticoides e manitol é adjuvante e não deve atrasar a descompressão mecânica.
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