Hematoma Extradural Pediátrico: Diagnóstico e Sinais

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2025

Enunciado

Criança de sete anos de idade chega ao pronto‑socorro vítima de queda de laje há 30 minutos. Segundo a acompanhante, imediatamente após o trauma, o paciente apresentou perda de consciência e um episódio de vômito.À admissão, encontrava‑se com 15 pontos na Escala de Coma de Glasgow, com pupilas isocóricas fotorreagentes, sem déficits.Realizado raio X simples de crânio, no qual se constatou fratura em região temporal direita.Enquanto aguardava tomografia de crânio, a criança evoluiu com rebaixamento do nível de consciência (11 pontos na Escala de Coma de Glasgow), hemiparesia esquerda e anisocoria D>E.Qual é a hipótese mais provável?

Alternativas

  1. A) Hematoma subdural agudo com herniação uncal.
  2. B) Lesão axonal difusa.
  3. C) Contusão temporal esquerda.
  4. D) Hematoma extradural com herniação uncal.

Pérola Clínica

TCE + fratura temporal + lucidez + deterioração neurológica rápida (anisocoria, hemiparesia) → Hematoma extradural com herniação uncal.

Resumo-Chave

O hematoma extradural (epidural) é uma emergência neurocirúrgica, frequentemente associado a fraturas ósseas (especialmente temporal) e laceração da artéria meníngea média. A deterioração neurológica rápida após um período de lucidez (intervalo lúcido) é um sinal clássico, indicando expansão da lesão e risco iminente de herniação.

Contexto Educacional

O Trauma Cranioencefálico (TCE) em crianças é uma causa significativa de morbimortalidade, e o reconhecimento precoce de lesões intracranianas é crucial. O hematoma extradural, ou epidural, é uma coleção de sangue entre a dura-máter e a calota craniana, geralmente de origem arterial (artéria meníngea média), e é uma emergência neurocirúrgica. Sua importância clínica reside na rápida expansão e no risco de herniação cerebral. A fisiopatologia envolve tipicamente uma fratura craniana que lacera a artéria meníngea média, levando a um sangramento arterial de alta pressão. O sangue se acumula rapidamente, formando uma lesão lenticular na tomografia. O "intervalo lúcido", um período de melhora aparente após o trauma seguido por deterioração neurológica, é um sinal clássico, embora nem sempre presente. A deterioração inclui rebaixamento do nível de consciência, cefaleia, vômitos, e sinais de lateralização como hemiparesia e anisocoria, indicando herniação uncal. O diagnóstico é confirmado por tomografia de crânio. O tratamento é neurocirúrgico, com drenagem urgente do hematoma para aliviar a compressão cerebral e prevenir danos irreversíveis ou morte. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e intervenção. É fundamental que residentes reconheçam a tríade de trauma, intervalo lúcido e deterioração neurológica para um manejo adequado e rápido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de um hematoma extradural?

Os sinais clássicos incluem um trauma cranioencefálico, seguido por um período de lucidez (intervalo lúcido), e subsequente deterioração neurológica rápida, com rebaixamento do nível de consciência, anisocoria e déficits focais.

Por que a fratura temporal é relevante no hematoma extradural?

A fratura na região temporal é frequentemente associada à laceração da artéria meníngea média, que cursa no sulco ósseo dessa região, sendo a principal causa de sangramento arterial rápido que forma o hematoma extradural.

O que indica a anisocoria D>E e hemiparesia esquerda no contexto de TCE?

A anisocoria D>E (pupila direita dilatada) e a hemiparesia esquerda sugerem compressão do nervo oculomotor ipsilateral à lesão (direita) e compressão do trato corticoespinhal contralateral (esquerda), indicando herniação uncal devido ao efeito de massa do hematoma.

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