UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Homem, 26a, condutor de motocicleta, teve colisão contra anteparo fixo. É trazido à Unidade de Emergência devido a perda de consciência momentânea. Exame físico: escala de coma de Glasgow=15; pupilas isocóricas e fotorreagentes; PA=132/81mmHg; FC=76bpm; FR=14irpm; oximetria de pulso=100% em ar ambiente; hematoma e escoriação na região temporoparietal direita. Foi mantido em observação. Após 70min evoluiu com rebaixamento súbito do nível de consciência e anisocoria. Foi indicado uma via aérea definitiva.O TIPO DE LESÃO INTRACRANIANA QUE SE CORRELACIONA COM ESTE QUADRO CLINICO É:
TCE + intervalo lúcido + deterioração neurológica súbita (anisocoria) → Hematoma extradural.
O hematoma extradural, geralmente arterial, é caracterizado por um intervalo lúcido após o trauma, seguido de rápida deterioração neurológica devido à expansão do hematoma e compressão cerebral, podendo levar à herniação e anisocoria. É uma emergência neurocirúrgica.
O hematoma extradural, ou epidural, é uma coleção de sangue no espaço entre a dura-máter e a calota craniana, geralmente resultante de trauma cranioencefálico (TCE) com fratura óssea e laceração de uma artéria meníngea (mais comumente a artéria meníngea média). É uma condição relativamente rara, mas de alta gravidade, que exige reconhecimento e intervenção urgentes para evitar sequelas neurológicas permanentes ou óbito. A compreensão de sua fisiopatologia e apresentação clínica é crucial para residentes em emergência e neurologia. A característica mais marcante do hematoma extradural é o 'intervalo lúcido', um período em que o paciente recupera a consciência após o trauma inicial, antes de uma deterioração neurológica súbita e progressiva. Essa deterioração é causada pela expansão rápida do hematoma, que aumenta a pressão intracraniana e pode levar à herniação cerebral, manifestada por anisocoria (dilatação pupilar ipsilateral à lesão) e rebaixamento do nível de consciência. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada de crânio, que revela uma lesão hiperdensa biconvexa ou lenticular. O tratamento do hematoma extradural é neurocirúrgico, consistindo na drenagem do hematoma para aliviar a compressão cerebral. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção. A identificação precoce dos sinais de alerta, como o intervalo lúcido e a anisocoria, é vital para um desfecho favorável, reforçando a importância de uma avaliação neurológica seriada em pacientes com TCE, mesmo aqueles inicialmente com Glasgow 15.
Os sinais de alerta incluem um período de lucidez após o trauma, seguido por rápida deterioração do nível de consciência, cefaleia intensa, vômitos, e sinais de lateralização como anisocoria (pupila dilatada ipsilateral à lesão) ou hemiparesia.
O intervalo lúcido ocorre porque a lesão inicial pode não causar compressão cerebral imediata. O sangramento arterial (geralmente da artéria meníngea média) acumula-se rapidamente no espaço extradural, mas leva um tempo para atingir volume suficiente para causar sintomas neurológicos significativos.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente (ABCDE), avaliação neurológica rápida, solicitação de tomografia computadorizada de crânio de emergência e consulta neurocirúrgica imediata para possível drenagem cirúrgica do hematoma.
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