UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2022
Após um jogo de futebol, um torcedor do Time A foi agredido por torcedor um torcedor do Time B, com perda de consciência. A vitima foi encaminhada ao Pronto Socorro, sendo admitido com cefaleia e vômitos, em Glasgow 15. Foi avaliado pelo médico plantonista e liberado para casa, sem acompanhante. Chegando em casa deitou-se para dormir. No dia seguinte sua mãe o encontrou morto. Diante desses fatos qual a principal hipótese diagnóstica para a causa mortis?
TCE com intervalo lúcido, cefaleia e vômitos → suspeitar de hematoma extradural, mesmo com Glasgow 15 inicial.
O quadro de trauma cranioencefálico com perda de consciência inicial, seguido de um período de aparente melhora (Glasgow 15, liberado para casa) e posterior deterioração rápida (morte súbita), é clássico do hematoma extradural agudo. Este é causado por sangramento arterial (geralmente artéria meníngea média) que se acumula rapidamente, levando a hipertensão intracraniana e herniação cerebral fatal.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma causa comum de morbimortalidade, e o hematoma extradural agudo (HEA) representa uma das emergências neurocirúrgicas mais críticas. O HEA é caracterizado pelo acúmulo de sangue no espaço entre a dura-máter e a calota craniana, geralmente resultante da ruptura da artéria meníngea média após um trauma. A epidemiologia mostra que é mais comum em jovens adultos e associado a traumas de alta energia. A importância clínica reside na sua rápida progressão e potencial letal se não diagnosticado e tratado prontamente. A fisiopatologia do HEA envolve o sangramento arterial que, sob pressão, descola a dura-máter do crânio, formando uma lente biconvexa no exame de imagem. O sinal clássico é o 'intervalo lúcido', onde o paciente recupera a consciência após o trauma inicial, mas deteriora rapidamente horas depois devido ao aumento da pressão intracraniana (PIC). Sinais e sintomas incluem cefaleia progressiva, vômitos, sonolência, anisocoria e déficits neurológicos focais. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com TCE que apresente perda de consciência, mesmo que breve, e sintomas neurológicos subsequentes. O tratamento do HEA é neurocirúrgico, com a evacuação do hematoma para descompressão cerebral. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção. A falha em reconhecer o intervalo lúcido como um sinal de alerta e a liberação precoce de pacientes com TCE, mesmo com Glasgow 15, mas com sintomas como cefaleia e vômitos, podem ter consequências fatais. É crucial que o médico plantonista realize uma avaliação neurológica completa, considere a realização de exames de imagem (TC de crânio) e oriente o paciente e acompanhantes sobre os sinais de alerta para retorno imediato ao hospital.
O intervalo lúcido é um período de aparente normalidade neurológica após um traumatismo cranioencefálico, antes da deterioração rápida causada pela expansão do hematoma e aumento da pressão intracraniana.
Sinais de alerta incluem cefaleia progressiva, vômitos, sonolência, confusão, anisocoria, e qualquer alteração no nível de consciência, mesmo após um período de lucidez.
O hematoma extradural é perigoso porque geralmente é causado por sangramento arterial rápido, levando a um acúmulo veloz de sangue no espaço extradural, que comprime o cérebro e pode causar herniação e morte em poucas horas se não for tratado cirurgicamente.
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