UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2019
Paciente de 22 anos, vítima de acidente de trânsito, chegou ao hospital sonolento, abertura ocular aos chamados, confuso e localizando a dor. Após 1 hora, apresentou piora do nível de consciência (sem abertura ocular, sons incompreensíveis, postura em flexão dos membros superiores e anisocoria D>E). Foi submetido à entubação orotraqueal e levado à Tomografia de crânio que revelou Hematoma extradural aguda têmporo parietal D, com desvio acentuado da linha média. Qual a alternativa que se aplica melhor a evolução e conduta para o caso:
TCE + HIC descompensada (Glasgow ↓, anisocoria) → medidas clínicas HIC e drenagem cirúrgica.
A evolução de um paciente com TCE, apresentando queda do Glasgow, anisocoria e sinais de efeito de massa na TC (hematoma extradural com desvio de linha média), indica descompensação da hipertensão intracraniana (HIC) e herniação cerebral. A conduta inicial envolve medidas clínicas para HIC, mas a drenagem cirúrgica do hematoma é frequentemente imperativa.
O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em jovens. O hematoma extradural agudo é uma lesão traumática grave, geralmente arterial, que se forma rapidamente entre a dura-máter e o crânio, causando efeito de massa e hipertensão intracraniana (HIC). A rápida deterioração neurológica, como a queda da Escala de Coma de Glasgow (ECG) e o surgimento de anisocoria, é um sinal de alerta para a descompensação da HIC e herniação cerebral, que pode levar à morte se não tratada prontamente. A herniação uncal, caracterizada pela compressão do nervo oculomotor e do tronco cerebral, manifesta-se com anisocoria ipsilateral à lesão e posturas anormais. O diagnóstico é confirmado por tomografia de crânio, que revela o hematoma e o desvio da linha média. O tratamento do hematoma extradural com sinais de herniação é uma emergência neurocirúrgica. Além das medidas clínicas para controle da HIC (como elevação da cabeceira, manitol, sedação), a drenagem cirúrgica do hematoma é fundamental para descomprimir o cérebro e prevenir danos neurológicos irreversíveis ou óbito. Para residentes, o reconhecimento rápido desses sinais e a tomada de decisão ágil são cruciais para o prognóstico do paciente.
Sinais de descompensação da HIC incluem queda progressiva da Escala de Coma de Glasgow (ECG), anisocoria (diferença no tamanho das pupilas), bradicardia, hipertensão arterial (reflexo de Cushing), alterações respiratórias e posturas de decorticação ou descerebração.
A conduta inicial envolve estabilização das vias aéreas (intubação orotraqueal), ventilação e circulação, elevação da cabeceira a 30 graus, sedação e analgesia, uso de manitol ou solução salina hipertônica para reduzir a HIC, e avaliação neurocirúrgica urgente para drenagem do hematoma.
A anisocoria unilateral, especialmente com a pupila dilatada no lado da lesão, é um sinal clássico de herniação uncal (transtentorial lateral), onde o lobo temporal medial comprime o nervo oculomotor ipsilateral, indicando uma emergência neurocirúrgica.
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