Hematoma Extradural: Diagnóstico e Sinais de Herniação

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2024

Enunciado

Criança de 7 anos chega ao Pronto Socorro vítima de queda de laje há 30 minutos. Segundo a acompanhante, imediatamente após o trauma, o paciente apresentou perda de consciência e um episódio de vômito. À admissão, encontrava-se com 15 pontos na Escala de Coma de Glasgow, com pupilas isocóricas fotorreagentes, sem déficits. Realizado Raio X simples de crânio: constatou-se fratura em região temporal direita. Enquanto aguardava Tomografia de Crânio, evoluiu com rebaixamento do nível de consciência (11 pontos na Escala de Coma de Glasgow), hemiparesia esquerda e anisocoria D>E. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese MAIS provável.

Alternativas

  1. A) Hematoma Subdural agudo com herniação uncal.
  2. B) Lesão Axonal Difusa.
  3. C) Contusão Temporal Esquerda.
  4. D) Hematoma Extradural com herniação uncal.

Pérola Clínica

Hematoma Extradural: intervalo lúcido, fratura temporal, deterioração neurológica rápida, anisocoria ipsilateral, hemiparesia contralateral.

Resumo-Chave

O hematoma extradural (epidural) é uma emergência neurocirúrgica clássica, frequentemente associada à fratura temporal e lesão da artéria meníngea média. A deterioração neurológica rápida, com anisocoria ipsilateral à lesão e hemiparesia contralateral, sugere herniação uncal iminente, exigindo intervenção urgente.

Contexto Educacional

O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em crianças. O hematoma extradural, embora menos comum que o subdural, é uma emergência neurocirúrgica que exige reconhecimento e intervenção imediatos devido à sua rápida progressão e potencial de desfechos catastróficos. A compreensão da fisiopatologia e dos sinais clínicos é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia do hematoma extradural envolve tipicamente a ruptura da artéria meníngea média, geralmente associada a uma fratura craniana na região temporal. O sangramento arterial causa um acúmulo rápido de sangue no espaço epidural, comprimindo o parênquima cerebral. O 'intervalo lúcido', onde o paciente recupera a consciência brevemente após o trauma antes de deteriorar novamente, é um sinal clássico, embora nem sempre presente. A evolução para anisocoria ipsilateral e hemiparesia contralateral indica compressão do nervo oculomotor e do trato corticoespinhal, respectivamente, sinais de herniação uncal iminente. O tratamento do hematoma extradural é neurocirúrgico, com craniotomia e evacuação do hematoma para descompressão cerebral. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez do diagnóstico e da intervenção. A monitorização contínua da Escala de Coma de Glasgow e a avaliação pupilar são essenciais no pronto-socorro para identificar precocemente a deterioração neurológica e evitar lesões cerebrais secundárias irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de um hematoma extradural?

Os sinais incluem um intervalo lúcido após o trauma, seguido por rápida deterioração do nível de consciência, cefaleia intensa, vômitos, e sinais de lateralização como hemiparesia contralateral e anisocoria ipsilateral à lesão, indicando herniação.

Por que a fratura temporal é relevante no hematoma extradural?

A fratura na região temporal é comum porque a artéria meníngea média, principal fonte de sangramento no hematoma extradural, cursa nessa região. Sua lesão leva a um acúmulo rápido de sangue no espaço epidural.

O que é herniação uncal e por que é uma emergência?

A herniação uncal ocorre quando o uncus do lobo temporal é empurrado medialmente através da tenda do cerebelo devido ao aumento da pressão intracraniana. Isso comprime o nervo oculomotor (III par), causando anisocoria ipsilateral, e o tronco cerebral, levando a rápida deterioração neurológica e risco de morte.

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