HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2022
Considere que uma criança de sete anos de idade chega ao pronto-socorro vítima de queda de laje há 30 minutos. Segundo a acompanhante, imediatamente após o trauma, o paciente apresentou perda de consciência e um episódio de vômito. À admissão, encontrava-se com 15 pontos na Escala de Coma de Glasgow, com pupilas isocóricas fotorreagentes, sem déficits. Realizado raio X simples de crânio constatou-se fratura em região temporal direita. Enquanto aguardava tomografia de crânio, evoluiu com rebaixamento do nível de consciência (11 pontos na Escala de Coma de Glasgow), hemiparesia esquerda e anisocoria D>E. Nesse caso, qual é a hipótese mais provável?
TCE + fratura temporal + lucidez pós-traumática + rebaixamento consciência + anisocoria D>E + hemiparesia E → Hematoma extradural com herniação uncal.
O hematoma extradural é uma emergência neurocirúrgica, frequentemente associado a fraturas temporais e lesão da artéria meníngea média. A apresentação clássica inclui um período de lucidez após o trauma, seguido por rápida deterioração neurológica, com sinais de hipertensão intracraniana e herniação, como anisocoria e hemiparesia contralateral à lesão.
O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças e adultos jovens, exigindo uma avaliação rápida e precisa para identificar lesões com risco de vida. O hematoma extradural (HED) é uma emergência neurocirúrgica caracterizada pelo acúmulo de sangue entre a dura-máter e a calota craniana, geralmente de origem arterial (lesão da artéria meníngea média), frequentemente associado a fraturas ósseas, especialmente na região temporal. A apresentação clínica do HED é clássica, mas nem sempre presente: um período de perda de consciência inicial, seguido por um 'intervalo lúcido' (paciente acorda e parece bem), e então uma rápida deterioração neurológica. Essa deterioração é causada pelo aumento da massa do hematoma, que eleva a pressão intracraniana (PIC) e pode levar à herniação cerebral. Sinais de alerta incluem rebaixamento do nível de consciência, cefaleia progressiva, vômitos, e sinais focais como hemiparesia contralateral à lesão e anisocoria (dilatação pupilar ipsilateral à lesão, indicando compressão do nervo oculomotor). O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada de crânio, que mostra uma lesão hiperdensa biconvexa ou lenticular. O tratamento é neurocirúrgico de emergência para evacuação do hematoma e controle da fonte de sangramento. O reconhecimento precoce dos sinais de HED e herniação uncal é vital para um desfecho favorável, pois o atraso no tratamento pode resultar em danos cerebrais irreversíveis ou morte. A Escala de Coma de Glasgow é uma ferramenta essencial para monitorar a evolução neurológica desses pacientes.
O hematoma extradural é classicamente associado a um 'intervalo lúcido' (período de consciência normal após o trauma inicial), seguido por rápida deterioração do nível de consciência, cefaleia intensa, vômitos, e sinais focais como hemiparesia contralateral e anisocoria (pupila dilatada ipsilateral à lesão).
A herniação uncal ocorre quando o uncus do lobo temporal é empurrado medialmente sobre a tenda do cerebelo, comprimindo o terceiro nervo craniano (oculomotor) e o tronco cerebral. Os sinais incluem anisocoria (pupila dilatada e não reativa ipsilateral à lesão), ptose, desvio ocular para baixo e para fora, e hemiparesia contralateral.
A fratura na região temporal é comumente associada ao hematoma extradural porque a artéria meníngea média, que é a principal fonte de sangramento nesses casos, cursa na superfície interna do osso temporal. O trauma que causa a fratura pode lacerar essa artéria, levando a um sangramento arterial rápido no espaço epidural.
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