Hematoma Extradural: Diagnóstico e Sinais de Herniação

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2023

Enunciado

Criança de sete anos de idade chega ao pronto-socorro vítima de queda de laje há 30 minutos. Segundo a acompanhante, imediatamente após o trauma, o paciente apresentou perda de consciência e um episódio de vômito. À admissão, encontrava-se com 15 pontos na Escala de Coma de Glasgow, com pupilas isocóricas fotorreagentes, sem déficits. Realizado raio X simples de crânio, constatou-se fratura em região temporal direita. Enquanto aguardava tomografia de crânio, evoluiu com rebaixamento do nível de consciência (11 pontos na Escala de Coma de Glasgow), hemiparesia esquerda e anisocoria D > E.A hipótese mais provável é

Alternativas

  1. A) hematoma subdural agudo com herniação uncal.
  2. B) lesão axonal difusa.
  3. C) contusão temporal esquerda.
  4. D) hematoma extradural com herniação uncal.

Pérola Clínica

TCE + intervalo lúcido + fratura temporal + anisocoria ipsilateral + hemiparesia contralateral → Hematoma extradural com herniação.

Resumo-Chave

O quadro clínico de trauma cranioencefálico com intervalo lúcido, fratura temporal, rebaixamento do nível de consciência, hemiparesia contralateral e anisocoria ipsilateral é altamente sugestivo de hematoma extradural, frequentemente associado à ruptura da artéria meníngea média e à herniação uncal.

Contexto Educacional

O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças e adultos jovens, e o reconhecimento precoce de lesões intracranianas é fundamental. O hematoma extradural, também conhecido como hematoma epidural, é uma emergência neurocirúrgica que resulta do acúmulo de sangue entre a dura-máter e a calota craniana, geralmente devido à ruptura da artéria meníngea média após um trauma. A apresentação clássica inclui o "intervalo lúcido", onde o paciente recupera a consciência após o trauma inicial, mas deteriora neurologicamente horas depois. Sinais de alarme incluem rebaixamento do nível de consciência, cefaleia progressiva, vômitos, e sinais focais como hemiparesia contralateral e anisocoria ipsilateral (pupila dilatada no mesmo lado da lesão), indicando compressão do nervo oculomotor e possível herniação uncal. A fratura temporal é um achado comum no raio-X ou TC de crânio. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada de crânio, que mostra uma lesão hiperdensa em forma de lente biconvexa. O tratamento é neurocirúrgico de emergência para evacuação do hematoma e descompressão, visando prevenir danos cerebrais irreversíveis e morte. A rápida identificação e intervenção são cruciais para um bom prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de um hematoma extradural?

Os sinais clássicos de um hematoma extradural incluem um trauma cranioencefálico, um intervalo lúcido (período de melhora após o trauma seguido de deterioração), cefaleia intensa, vômitos e, em casos de progressão, rebaixamento do nível de consciência, hemiparesia contralateral e anisocoria ipsilateral.

O que é a herniação uncal e quais seus sintomas?

A herniação uncal ocorre quando o uncus do lobo temporal se desloca medialmente sob a tenda do cerebelo, comprimindo o nervo oculomotor ipsilateral (causando anisocoria e midríase) e o pedúnculo cerebral contralateral (causando hemiparesia contralateral).

Qual a importância da fratura temporal no hematoma extradural?

A fratura na região temporal é um achado comum no hematoma extradural, pois a artéria meníngea média, frequentemente lesada, corre em um sulco nessa região, sendo a principal fonte de sangramento arterial que forma o hematoma.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo