FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Homem de 30 anos sofreu queda da escada (acidente de trabalho) e não estava usando capacete. Ao ser admitido no hospital, apresentava-se sonolento, com fala arrastada e com otorragia à esquerda. O médico da emergência evidenciou, ao exame clínico, que o paciente apresentava ferimento contuso aberto em região fronto-parietal esquerda e períodos de consciência intercalados com sonolência excessiva e torpor. A Tomografia Computadorizada é apresentada a seguir. Nesse caso, como consequência do trauma, pode-se concluir corretamente que houve que tipo de lesão craniana, sendo esta devida a qual estrutura anatômica?
Intervalo lúcido + Imagem biconvexo na TC = Hematoma Epidural (Art. Meníngea Média).
O hematoma epidural resulta clássicamente da ruptura da artéria meníngea média após trauma na região temporal. O quadro de 'intervalo lúcido' é a marca clínica característica antes da deterioração neurológica rápida.
O hematoma epidural (ou extradural) é uma emergência neurocirúrgica clássica. Diferente do hematoma subdural, que geralmente decorre de lesões venosas (veias pontes) e está associado a lesões parenquimatosas graves, o hematoma epidural é frequentemente uma lesão isolada por trauma direto. O diagnóstico precoce via TC de crânio e a evacuação cirúrgica imediata (craniotomia) estão associados a um excelente prognóstico, pois o cérebro subjacente pode estar íntegro. A tríade clínica de trauma, intervalo lúcido e midríase ipsilateral à lesão (por compressão do III par craniano) deve sempre alertar o médico da emergência para esta patologia.
O intervalo lúcido é um fenômeno clínico onde o paciente sofre uma perda inicial de consciência devido ao impacto (concussão), recupera a consciência e parece bem por um período (minutos a horas), mas depois sofre uma deterioração neurológica rápida. Isso ocorre porque o hematoma arterial (epidural) está se expandindo e eventualmente causa herniação cerebral e compressão do tronco encefálico.
Na Tomografia Computadorizada, o hematoma epidural apresenta-se como uma coleção hiperdensa com formato biconvexo (ou em lente), pois o sangue está contido pelas suturas cranianas onde a dura-máter está firmemente aderida. Já o hematoma subdural apresenta um formato em crescente ou côncavo-convexo, pois o sangue se espalha livremente pelo espaço subdural, não sendo limitado pelas suturas.
A artéria meníngea média corre em um sulco na face interna do osso temporal (pterion), uma área onde o crânio é relativamente fino. Fraturas nessa região frequentemente rompem a artéria, levando ao sangramento sob alta pressão no espaço entre a tábua óssea interna e a dura-máter, formando o hematoma epidural.
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