Hematoma Epidural: Diagnóstico e Artéria Meníngea Média

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 40 anos sofreu uma queda de escada, batendo a cabeça. Inicialmente, ele estava confuso, mas recuperou a consciência. Horas depois, sua condição piorou, evoluindo com sonolência progressiva, cefaleia intensa, pupilas desiguais e otorragia. Uma tomografia computadorizada de crânio revelou uma lesão hiperdensa em forma de lente biconvexa no lobo temporal. Qual estrutura vascular mais provavelmente foi lesada?

Alternativas

  1. A) Artéria meníngea média.
  2. B) Seio venoso sagital.
  3. C) Artéria cerebral média.
  4. D) Artéria carótida interna.
  5. E) Veia emissária.

Pérola Clínica

Trauma temporal + Intervalo lúcido + Lente biconvexa = Hematoma Epidural (A. Meníngea Média).

Resumo-Chave

O hematoma epidural clássico ocorre por ruptura da artéria meníngea média após trauma no ptério, apresentando-se como uma coleção hiperdensa biconvexa que não cruza suturas cranianas.

Contexto Educacional

O hematoma epidural (ou extradural) representa uma das emergências neurocirúrgicas mais críticas decorrentes de traumatismo cranioencefálico (TCE). A anatomia da região temporal, especificamente o ptério, é vulnerável devido à espessura reduzida do osso e à proximidade com o sulco da artéria meníngea média. A natureza arterial do sangramento explica a progressão rápida dos sintomas após o impacto. Clinicamente, a tríade de trauma, intervalo lúcido e rápida deterioração neurológica com sinais de herniação (como anisocoria ipsilateral por compressão do III par craniano) deve levantar suspeita imediata. O diagnóstico é confirmado por TC de crânio sem contraste. O prognóstico é excelente se a intervenção cirúrgica for realizada antes da ocorrência de danos isquêmicos secundários ou herniação irreversível.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o intervalo lúcido no hematoma epidural?

O intervalo lúcido é um fenômeno clínico onde o paciente sofre uma perda momentânea de consciência após o trauma, recupera o estado de alerta (período de lucidez), mas depois deteriora rapidamente conforme o hematoma arterial expande, aumentando a pressão intracraniana. Embora clássico, ocorre em apenas cerca de 20% a 50% dos casos de hematoma epidural.

Por que o hematoma epidural tem formato biconvexo?

O sangue no hematoma epidural acumula-se no espaço virtual entre a tábua interna do crânio e a camada endosteal da dura-máter. Como a dura-máter está firmemente aderida às suturas cranianas, a expansão do hematoma é limitada por essas inserções, forçando o sangue a empurrar o cérebro para dentro, criando o formato característico de lente biconvexa (lenticular).

Qual a conduta imediata no hematoma epidural expansivo?

O tratamento de escolha para hematomas epidurais sintomáticos, com volume > 30 cm³ ou desvio de linha média > 5 mm, é a evacuação cirúrgica imediata por craniotomia. O objetivo é descomprimir o parênquima cerebral e ligar o vaso sangrante (geralmente a artéria meníngea média) para evitar herniações cerebrais fatais.

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