Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Um homem de 40 anos sofreu uma queda de escada, batendo a cabeça. Inicialmente, ele estava confuso, mas recuperou a consciência. Horas depois, sua condição piorou, evoluindo com sonolência progressiva, cefaleia intensa, pupilas desiguais e otorragia. Uma tomografia computadorizada de crânio revelou uma lesão hiperdensa em forma de lente biconvexa no lobo temporal. Qual estrutura vascular mais provavelmente foi lesada?
Trauma temporal + Intervalo lúcido + Lente biconvexa = Hematoma Epidural (A. Meníngea Média).
O hematoma epidural clássico ocorre por ruptura da artéria meníngea média após trauma no ptério, apresentando-se como uma coleção hiperdensa biconvexa que não cruza suturas cranianas.
O hematoma epidural (ou extradural) representa uma das emergências neurocirúrgicas mais críticas decorrentes de traumatismo cranioencefálico (TCE). A anatomia da região temporal, especificamente o ptério, é vulnerável devido à espessura reduzida do osso e à proximidade com o sulco da artéria meníngea média. A natureza arterial do sangramento explica a progressão rápida dos sintomas após o impacto. Clinicamente, a tríade de trauma, intervalo lúcido e rápida deterioração neurológica com sinais de herniação (como anisocoria ipsilateral por compressão do III par craniano) deve levantar suspeita imediata. O diagnóstico é confirmado por TC de crânio sem contraste. O prognóstico é excelente se a intervenção cirúrgica for realizada antes da ocorrência de danos isquêmicos secundários ou herniação irreversível.
O intervalo lúcido é um fenômeno clínico onde o paciente sofre uma perda momentânea de consciência após o trauma, recupera o estado de alerta (período de lucidez), mas depois deteriora rapidamente conforme o hematoma arterial expande, aumentando a pressão intracraniana. Embora clássico, ocorre em apenas cerca de 20% a 50% dos casos de hematoma epidural.
O sangue no hematoma epidural acumula-se no espaço virtual entre a tábua interna do crânio e a camada endosteal da dura-máter. Como a dura-máter está firmemente aderida às suturas cranianas, a expansão do hematoma é limitada por essas inserções, forçando o sangue a empurrar o cérebro para dentro, criando o formato característico de lente biconvexa (lenticular).
O tratamento de escolha para hematomas epidurais sintomáticos, com volume > 30 cm³ ou desvio de linha média > 5 mm, é a evacuação cirúrgica imediata por craniotomia. O objetivo é descomprimir o parênquima cerebral e ligar o vaso sangrante (geralmente a artéria meníngea média) para evitar herniações cerebrais fatais.
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