Hematoma da Bainha do Reto: Diagnóstico e Conduta

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 73 anos de idade, refere dor abdominal de início súbito e abaulamento progressivo no flanco esquerdo há 1 dia. Nega alterações do hábito intestinal e urinárias. Está em tratamento para exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica há 5 dias, porém com persistência da tosse. Tem hipertensão arterial controlada com medicamentos e fibrilação atrial em uso de anticoagulante. Ao exame físico: Bom estado geral, temperatura de 37,7ºC; Tórax com raros roncos e sibilos; Abdome flácido e sem sinais de irritação peritoneal. Massa endurecida e dolorosa na região do flanco esquerdo de aproximadamente 15cm. Exames laboratoriais: Hb: 10,5 g/dL, Ht: 30%; Leucócitos: 13,54 mil/mm³; PCR: 34 mg/dL; Realizada tomografia de abdome (imagem a seguir): Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Drenagem operatória.
  2. B) Drenagem percutânea.
  3. C) Observação clínica.
  4. D) Biópsia incisional.

Pérola Clínica

Hematoma da bainha do reto em paciente anticoagulado com tosse → Manejo conservador se estável e sem sinais de expansão.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos, anticoagulados e com fatores de risco como tosse crônica, o hematoma da bainha do reto abdominal é uma causa comum de dor e massa abdominal. A conduta inicial, na ausência de instabilidade hemodinâmica ou expansão rápida, é a observação clínica, analgesia e, se necessário, reversão da anticoagulação.

Contexto Educacional

O hematoma da bainha do reto abdominal é uma condição relativamente rara, mas importante no diagnóstico diferencial de dor abdominal aguda, especialmente em idosos e pacientes em uso de anticoagulantes. Resulta do sangramento dos vasos epigástricos ou da ruptura do músculo reto abdominal, frequentemente precipitado por aumento súbito da pressão intra-abdominal, como tosse intensa ou esforço físico. Sua incidência tem aumentado devido ao uso mais difundido de anticoagulantes. O diagnóstico é primariamente clínico, com dor abdominal aguda, massa palpável e, por vezes, equimose na parede abdominal. Exames laboratoriais podem revelar anemia e leucocitose. A tomografia computadorizada de abdome é o método diagnóstico de escolha, demonstrando a coleção hemorrágica dentro ou adjacente ao músculo reto. É crucial diferenciar de outras condições abdominais agudas para evitar intervenções desnecessárias. A conduta na maioria dos casos é conservadora, envolvendo repouso, analgesia, monitorização hemodinâmica e, se necessário, reversão da anticoagulação. A intervenção cirúrgica ou drenagem percutânea é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica, hematomas em expansão, sinais de infecção ou compressão de estruturas vitais. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, tornando o reconhecimento precoce e a escolha da conduta correta essenciais para residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o hematoma da bainha do reto abdominal?

Os principais fatores de risco incluem o uso de anticoagulantes, traumas abdominais, tosse crônica intensa, espirros repetitivos, gravidez, cirurgias abdominais prévias e doenças que afetam a coagulação. A idade avançada também é um fator contribuinte.

Quando a intervenção cirúrgica ou drenagem é indicada para um hematoma da bainha do reto?

A intervenção é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica persistente, expansão rápida e progressiva do hematoma apesar das medidas conservadoras, sinais de infecção do hematoma ou compressão de estruturas adjacentes que causem isquemia ou obstrução. A maioria dos casos é tratada conservadoramente.

Como diferenciar um hematoma da bainha do reto de outras causas de dor abdominal aguda?

A história clínica de uso de anticoagulantes e fatores precipitantes como tosse, associada a uma massa palpável e dolorosa no abdome, é sugestiva. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico e excluir outras causas como hérnias encarceradas, apendicite ou diverticulite.

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