SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente masculino, 45 anos, etilista com consumo diário de cerca 0,5 L de cachaça há 15 anos, procurou emergência por hematêmese volumosa há 2 horas. Ao exame, PA 80x60 mmHg, FC 112 bpm, estado geral ruim, alerta, ictérico 1+ em 4, com presença de ginecomastia e telangiectasias em tórax e ascite. Diante da apresentação, além de hidratação, assinale a conduta mais adequada no momento.
Hematêmese volumosa + sinais de choque + cirrose → Estabilização hemodinâmica, análogo somatostatina, ATB profilaxia.
Paciente com hematêmese volumosa, sinais de choque e estigmas de hepatopatia crônica (etilismo, icterícia, ascite, ginecomastia, telangiectasias) sugere sangramento por varizes esofágicas. A conduta inicial, após estabilização hemodinâmica, inclui análogo da somatostatina (ex: octreotide) para reduzir o fluxo esplâncnico e antibioticoprofilaxia para prevenir infecções, comuns em cirróticos com sangramento.
A hematêmese volumosa em um paciente com histórico de etilismo crônico e sinais de hepatopatia descompensada (icterícia, ascite, ginecomastia, telangiectasias) é altamente sugestiva de sangramento por varizes esofágicas, uma complicação grave da hipertensão portal. A apresentação com PA 80x60 mmHg e FC 112 bpm indica choque hipovolêmico, exigindo uma abordagem emergencial e sistemática. A conduta inicial para sangramento varicoso inclui a estabilização hemodinâmica agressiva com fluidos intravenosos e, se necessário, transfusão de hemoderivados. Simultaneamente, devem ser iniciadas medidas farmacológicas: análogos da somatostatina (como octreotide) para reduzir o fluxo sanguíneo esplâncnico e a pressão portal, e antibioticoprofilaxia, pois pacientes cirróticos com sangramento têm alto risco de infecções bacterianas que aumentam a mortalidade e o risco de ressangramento. Após a estabilização e início da terapia farmacológica, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada o mais breve possível (idealmente em 12-24 horas) para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento endoscópico, como a ligadura elástica das varizes. A passagem de balão esofágico é uma medida de resgate temporária para sangramentos refratários, não sendo a primeira escolha. Inibidores de bomba de prótons não são a terapia primária para sangramento varicoso, embora possam ser usados para proteger a mucosa gástrica.
A antibioticoprofilaxia é crucial em cirróticos com hemorragia digestiva alta, pois eles têm alto risco de infecções bacterianas (ex: peritonite bacteriana espontânea), que aumentam a mortalidade e o risco de ressangramento.
Análogos da somatostatina (ex: octreotide) reduzem o fluxo sanguíneo esplâncnico e a pressão portal, diminuindo o sangramento das varizes esofágicas, sendo uma medida farmacológica inicial importante.
A endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente (idealmente em até 12-24 horas) após a estabilização hemodinâmica do paciente, para confirmar a causa do sangramento e realizar tratamento endoscópico (ex: ligadura elástica).
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