CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, 38 anos, vem ao consultório bastante preocupada por uma alteração evidenciada em ultrassonografia que fez em um pronto socorro por queixa de dor em baixo ventre. O exame em questão revelava imagem nodular hiperecóica e homogênea de 4cm em lobo direito do fígado. A paciente nega história de febre, dor no hipocôndrio direito, perda de peso e icterícia. Ao exame físico a paciente está em bom estado geral, bem nutrida, afebril, anictérica, eupneica, hemodinamicamente estável, sem edemas. Seu abdome é plano, flácido, indolor, sem ascite ou massas palpáveis. Você solicitou hemograma e dosagem de enzimas hepáticas. Bilirrubinas, TAP e albumina, além de tomografia computadorizada de abdome com contraste venoso. Tanto o hemograma quanto os demais exames bioquímicos eram normais. A tomografia evidenciou lesão bem definida, de limites precisos, com densidade semelhante à de vasos sanguíneos, captante de contraste, com preenchimento total de padrão centrípeto. Restante do parênquima hepático e demais órgãos abdominais sem alterações. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:
Hemangioma hepático = lesão benigna com padrão de preenchimento centrípeto no TC/RM, conduta expectante.
O hemangioma hepático é a lesão hepática benigna mais comum, caracterizado por um padrão de realce típico na tomografia computadorizada ou ressonância magnética com contraste, que inclui preenchimento periférico nodular precoce e progressão centrípeta. Este padrão é geralmente diagnóstico e permite uma conduta expectante, sem necessidade de biópsia ou cirurgia. A RM oferece maior sensibilidade e especificidade.
O hemangioma hepático é a neoplasia benigna mais comum do fígado, frequentemente descoberta incidentalmente em exames de imagem. Sua prevalência é maior em mulheres e geralmente não causa sintomas, a menos que atinja grandes dimensões. A importância clínica reside principalmente na sua correta identificação para diferenciá-lo de lesões malignas, evitando intervenções desnecessárias. O diagnóstico é primariamente radiológico, com características bem definidas na ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) com contraste. Na TC e RM, o padrão clássico de realce é o preenchimento periférico nodular precoce na fase arterial, seguido por um preenchimento progressivo e centrípeto nas fases portal e tardia, até se tornar isodenso ao parênquima hepático. A RM, com suas sequências específicas e maior contraste de tecidos moles, oferece maior sensibilidade e especificidade, sendo o exame de escolha para lesões atípicas ou quando há dúvida diagnóstica. Uma vez diagnosticado como hemangioma por critérios de imagem, o tratamento é geralmente expectante, com acompanhamento clínico e radiológico periódico, especialmente para lesões maiores. A ressecção cirúrgica é rara e considerada apenas em casos de sintomas graves (dor, compressão de estruturas adjacentes) ou crescimento rápido e incerteza diagnóstica, o que é incomum para hemangiomas típicos.
Na TC com contraste, o hemangioma hepático apresenta realce periférico nodular precoce na fase arterial, seguido por um preenchimento progressivo e centrípeto nas fases portal e tardia, tornando-se isodenso ao parênquima hepático circundante.
A biópsia é indicada quando as características de imagem são atípicas ou ambíguas, não permitindo um diagnóstico conclusivo de lesão benigna, e há suspeita de malignidade, especialmente em pacientes com fatores de risco para hepatocarcinoma ou história de câncer.
A RM com contraste é considerada o método de imagem mais sensível e específico para o diagnóstico de hemangiomas hepáticos, especialmente os atípicos, devido à sua capacidade de caracterizar melhor o padrão de realce e a composição da lesão.
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