Hemangioma Hepático: Diagnóstico por Imagem e Conduta

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 35 anos é encaminhada para atendimento no serviço de cirurgia, após identificar um nódulo hepático em angiotomografia com contraste trifásico. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, estável hemodinamicamente, anictérica e normocorada. Avaliando as imagens, o fígado possui dimensões normais e apresenta na fase sem contraste um nódulo hipoatenuante de 4 cm no segmento VII. Na fase do contraste arterial, esse nódulo tem captação periférica assimétrica de contraste. No estudo portal, há realce periférico progressivo com preenchimento mais centrípeto e, no estudo tardio, há preenchimento adicional do nódulo. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais adequada, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) Metástase colorretal / ablação por radiofrequência.
  2. B) Adenoma hepático / hepatectomia segmentar.
  3. C) Hepatocarcinoma / transplante hepático.
  4. D) Hemangioma hepático / expectante.

Pérola Clínica

Realce periférico centrípeto e descontínuo na TC = Hemangioma (conduta expectante).

Resumo-Chave

O hemangioma hepático é o tumor benigno mais comum do fígado e apresenta um padrão radiológico patognomônico de preenchimento progressivo, não necessitando de tratamento na ausência de sintomas.

Contexto Educacional

O achado incidental de nódulos hepáticos aumentou drasticamente com o uso frequente de exames de imagem de alta resolução. O hemangioma hepático é composto por múltiplos espaços vasculares revestidos por endotélio. O diagnóstico diferencial principal inclui o adenoma hepático (associado ao uso de anticoncepcionais e risco de ruptura), a hiperplasia nodular focal (com sua cicatriz central característica) e o hepatocarcinoma (em fígados cirróticos). A descrição da questão — realce periférico assimétrico na fase arterial e preenchimento centrípeto progressivo — é o 'clássico de prova' para hemangioma. Em pacientes jovens, sem hepatopatia crônica ou neoplasia primária conhecida, a estabilidade e as características radiológicas são suficientes para o diagnóstico, permitindo uma conduta conservadora e tranquilizadora para o paciente.

Perguntas Frequentes

Como identificar um hemangioma na tomografia?

Na tomografia computadorizada trifásica, o hemangioma apresenta um padrão muito característico: na fase arterial, observa-se um realce periférico, nodular e descontínuo (globular). Nas fases portal e tardia, ocorre um preenchimento progressivo e centrípeto (de fora para dentro) do nódulo pelo contraste, que tende a se tornar isodenso ou hiperdenso em relação ao parênquima hepático nas imagens tardias. Este padrão reflete o fluxo sanguíneo lento dentro dos espaços vasculares do tumor.

Hemangioma hepático pode virar câncer?

Não. O hemangioma hepático é uma neoplasia vascular benigna e não possui potencial de transformação maligna. Uma vez estabelecido o diagnóstico radiológico com segurança (através de TC ou Ressonância Magnética com contraste), não há necessidade de rastreamento oncológico ou biópsias seriadas, a menos que haja dúvida diagnóstica ou mudança significativa nos sintomas do paciente.

Quando o hemangioma hepático precisa de cirurgia?

A imensa maioria dos hemangiomas é assintomática e deve ser acompanhada de forma expectante. A intervenção cirúrgica (ou embolização) é reservada apenas para casos raros de hemangiomas gigantes que causam sintomas compressivos importantes (dor abdominal persistente, saciedade precoce), complicações como a Síndrome de Kasabach-Merritt (coagulopatia de consumo) ou, muito raramente, ruptura com hemoperitônio.

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