CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Mulher de 45 anos, realizou tomografia computadorizada para investigação de sinusite, que identificou massa intraconal de 1 cm de diâmetro, de limites bem definidos, com densidade de partes moles e com captação heterogênea ao contraste. Nega sintomas visuais. Exame oftalmológico dentro da normalidade. Qual a melhor conduta:
Massa intraconal assintomática (provável hemangioma cavernoso) → Observação e seguimento periódico.
O hemangioma cavernoso é o tumor orbitário benigno mais comum em adultos. Se for pequeno, estável e assintomático, a conduta padrão é a observação com exames de imagem.
Massas intraconais representam um desafio diagnóstico na oftalmologia. O hemangioma cavernoso, principal suspeita neste cenário, é uma malformação vascular venosa de baixo fluxo. Sua apresentação clássica é uma proptose axial indolor de progressão lenta, mas o aumento do uso de exames de imagem tem revelado muitos casos subclínicos. A conduta conservadora baseia-se na história natural benigna da lesão. O seguimento deve incluir avaliação da acuidade visual, reflexos pupilares, motilidade ocular, campo visual e exames de imagem anuais (TC ou RM). A radioterapia não tem papel no tratamento do hemangioma cavernoso, sendo reservada para tumores radiossensíveis como linfomas ou metástases específicas.
O hemangioma cavernoso é a neoplasia benigna primária mais frequente da órbita em adultos, ocorrendo predominantemente em mulheres na quarta ou quinta década de vida. Caracteriza-se radiologicamente como uma massa intraconal bem delimitada, encapsulada, que apresenta captação progressiva e heterogênea de contraste na TC ou RM. Por ser uma lesão de crescimento lento, muitas vezes é descoberta incidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos, como investigação de sinusite ou cefaleia.
A intervenção cirúrgica (orbitotomia) está reservada para casos onde há evidência de progressão clínica ou radiológica. As indicações principais incluem: redução da acuidade visual por compressão do nervo óptico, proptose esteticamente inaceitável, dor orbital persistente, diplopia limitante ou erosão óssea adjacente. Se a lesão for estável e o paciente estiver assintomático, o risco cirúrgico de dano às estruturas nobres intraconais (nervo óptico e músculos) geralmente supera os benefícios da remoção.
A biópsia por agulha fina (BAF) em massas orbitárias intraconais é tecnicamente difícil e apresenta riscos significativos, como hemorragia retrobulbar, que pode levar à perda visual permanente por síndrome compartimental. Além disso, no caso de hemangiomas cavernosos, a BAF frequentemente resulta em material inconclusivo devido à natureza vascular da lesão. Como a aparência radiológica é muito característica, o diagnóstico presuntivo seguido de observação é mais seguro e eficaz.
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