CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Sobre o hemangioma capilar da órbita na infância, é correto afirmar:
Hemangioma capilar → Propranolol é 1ª linha; Corticoides são opção terapêutica válida.
O hemangioma capilar é o tumor orbitário mais comum da infância. Embora possa involuir, o tratamento com betabloqueadores ou corticoides é vital se houver risco visual.
O hemangioma capilar é um hamartoma vascular benigno que se manifesta logo após o nascimento, apresentando uma fase de proliferação rápida nos primeiros 6 a 12 meses. O diagnóstico é clínico, caracterizado pela lesão em 'morango' quando superficial. Lesões profundas podem causar apenas proptose e ter uma coloração azulada. A RM mostra uma massa lobulada com intenso realce pelo contraste. A compreensão da história natural de crescimento seguido de involução lenta é crucial para tranquilizar os pais, mas o médico deve estar atento às complicações oculares que exigem tratamento farmacológico imediato.
O tratamento não é obrigatório para todos os casos, pois muitos hemangiomas capilares sofrem involução espontânea até os 7-9 anos de idade. No entanto, a intervenção é mandatória quando a lesão causa obstrução do eixo visual (risco de ambliopia por deprivação), astigmatismo significativo por compressão corneana (risco de ambliopia refracional), proptose severa com exposição da córnea ou compressão do nervo óptico. O objetivo principal é garantir o desenvolvimento visual normal durante o período crítico da infância.
Historicamente, os corticoides (sistêmicos ou intralesionais) foram a primeira linha de tratamento. Eles atuam induzindo a vasoconstrição e inibindo a angiogênese, o que leva à interrupção do crescimento e à redução do tamanho da lesão. A injeção intralesional de acetonido de triancinolona é eficaz para lesões localizadas, mas apresenta riscos como embolia da artéria central da retina. Atualmente, os corticoides são considerados uma segunda linha de tratamento, tendo sido amplamente substituídos pelo Propranolol devido ao melhor perfil de segurança.
O Propranolol, um betabloqueador não seletivo, revolucionou o tratamento dos hemangiomas da infância após a descoberta acidental de sua eficácia. Ele promove vasoconstrição imediata (mudança na cor e consistência), inibe a expressão de fatores de crescimento vascular (VEGF e bFGF) e induz a apoptose das células endoteliais capilares. É administrado por via oral e apresenta uma resposta rápida e sustentada com menos efeitos colaterais sistêmicos graves do que a corticoterapia prolongada, embora exija monitoramento de frequência cardíaca e glicemia.
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