CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020
As imagens abaixo mostram lesão na pálpebra superior direita, respectivamente, antes e após o tratamento com propranolol. Qual é o diagnóstico mais provável?
Hemangioma capilar infantil → Tratamento de escolha = Propranolol oral.
O hemangioma capilar é o tumor benigno mais comum da infância na região periocular. O tratamento com betabloqueadores (propranolol) é padrão-ouro para reduzir o volume e prevenir ambliopia.
O hemangioma capilar infantil é um tumor vascular benigno que apresenta uma fase de crescimento rápido pós-natal seguida de uma involução lenta. Na oftalmologia, a localização palpebral é crítica devido ao risco de ambliopia. O uso de propranolol revolucionou o manejo, substituindo em grande parte os corticosteroides sistêmicos e intralesionais. Clinicamente, manifesta-se como uma lesão avermelhada ('morango') que fica mais túrgida quando a criança chora. O diagnóstico é predominantemente clínico, mas exames de imagem como Doppler ou RM podem ser necessários em casos de extensão orbitária profunda. O sucesso terapêutico é medido pela desobstrução do eixo visual e melhora da simetria palpebral.
O propranolol atua promovendo a vasoconstrição dos vasos que nutrem o tumor, inibindo a angiogênese através da redução da expressão de fatores de crescimento vascular (VEGF) e induzindo a apoptose das células endoteliais capilares. Isso leva a uma rápida regressão da cor e do volume da lesão, sendo especialmente útil em lesões perioculares que ameaçam o eixo visual ou causam astigmatismo elevado.
O principal risco é a ambliopia, que pode ocorrer por dois mecanismos: oclusão direta do eixo visual pela pálpebra ptótica ou indução de astigmatismo elevado devido à pressão da massa sobre o globo ocular. Além disso, pode haver deformidade estética permanente e ulceração da pele sobrejacente à lesão.
O tratamento deve ser iniciado precocemente, idealmente durante a fase de proliferação rápida (geralmente nos primeiros meses de vida), sempre que houver risco de comprometimento funcional visual, ulceração ou desfiguração importante. O acompanhamento multidisciplinar com pediatria e cardiologia é essencial para monitorar efeitos colaterais sistêmicos do betabloqueador.
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