CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Aplicação tópica ou sistêmica de betabloqueadores apresenta resultados terapêuticos positivos em qual doença orbitária, entre as abaixo:
Hemangioma capilar infantil → Betabloqueadores (Propranolol/Timolol) = Tratamento de 1ª linha.
Betabloqueadores induzem vasoconstrição e inibem fatores de crescimento vascular, sendo altamente eficazes na redução de hemangiomas infantis.
O hemangioma capilar é o tumor benigno mais comum da órbita e das pálpebras na infância. Embora tenha uma história natural de involução espontânea, lesões que causam comprometimento visual requerem intervenção rápida. A descoberta da eficácia do propranolol em 2008 mudou o paradigma terapêutico, oferecendo uma alternativa mais segura e eficaz que os corticoides ou a radiação. O uso de betabloqueadores, tanto sistêmicos (propranolol) quanto tópicos (timolol para lesões superficiais), promove uma regressão rápida da fase proliferativa do tumor. Na prática oftalmológica, o objetivo principal é prevenir a ambliopia. O tratamento geralmente é mantido até que a fase de involução natural se consolide, geralmente por volta de um ano de idade, com desmame gradual para evitar o efeito rebote de crescimento da lesão.
O mecanismo exato ainda é objeto de estudo, mas acredita-se que os betabloqueadores, como o propranolol (sistêmico) e o timolol (tópico), atuem através de três vias principais: vasoconstrição imediata, que reduz a cor e o volume da lesão; inibição da angiogênese por meio da diminuição da expressão de fatores de crescimento vascular, como o VEGF (Fator de Crescimento Endotelial Vascular) e o bFGF (Fator de Crescimento de Fibroblastos básico); e a indução de apoptose em células endoteliais capilares. Essa abordagem revolucionou o tratamento, substituindo em grande parte o uso de corticosteroides sistêmicos, que apresentam um perfil de efeitos colaterais muito mais severo em lactentes.
O tratamento é indicado quando o hemangioma capilar ameaça a função visual ou o desenvolvimento ocular normal. As principais indicações incluem a presença de ptose mecânica ou massa orbitária que cause obstrução do eixo visual (risco de ambliopia por privação), indução de astigmatismo significativo por pressão direta no globo ocular (risco de ambliopia refracional) ou proptose severa com risco de ceratopatia de exposição. Hemangiomas puramente cosméticos podem ser observados, mas devido à alta eficácia e segurança dos betabloqueadores, a intervenção precoce é frequentemente preferida para evitar deformidades permanentes ou necessidade de cirurgias complexas no futuro.
Antes de iniciar o propranolol sistêmico, é necessária uma avaliação cardiológica completa, incluindo ECG, para excluir bradicardia ou bloqueios cardíacos. As principais contraindicações são asma brônquica, doença das vias aéreas hiper-reativas, bloqueio atrioventricular de segundo ou terceiro grau e hipoglicemia propensa. Durante o tratamento, os pais devem ser orientados a suspender a medicação se a criança apresentar sinais de infecção respiratória ou sibilância. O monitoramento da frequência cardíaca, pressão arterial e glicemia é essencial, especialmente nas primeiras doses, para garantir que o paciente pediátrico tolere bem a terapia betabloqueadora.
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