CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
O tumor orbitário ou periorbitário mais comum na infância é:
Hemangioma capilar = tumor orbitário benigno mais comum na infância; involução espontânea é a regra.
O hemangioma capilar é o tumor orbitário mais frequente em crianças, caracterizado por crescimento rápido nos primeiros meses de vida seguido de uma fase de involução lenta.
O hemangioma capilar infantil é uma neoplasia vascular benigna composta por capilares proliferativos. É crucial diferenciá-lo de outras massas orbitárias infantis mais graves, como o rabdomiossarcoma (que apresenta crescimento explosivo e sinais inflamatórios) ou o neuroblastoma metastático. A apresentação clínica clássica é uma lesão que aumenta de volume e fica mais arroxeada quando a criança chora ou faz esforço. A compreensão da história natural de crescimento e involução é fundamental para tranquilizar os pais e decidir o momento exato da intervenção. Com o advento do uso terapêutico do propranolol, o prognóstico visual melhorou drasticamente, reduzindo a necessidade de cirurgias mutilantes ou o uso prolongado de corticoides, que traziam diversos efeitos adversos sistêmicos para o lactente.
O hemangioma capilar é um hamartoma vascular benigno e o tumor orbitário ou periorbitário mais comum na infância. Ele geralmente não está presente ao nascimento, surgindo nas primeiras semanas de vida. Apresenta uma fase de proliferação rápida até os 6-12 meses, seguida por uma fase de estabilização e, finalmente, uma involução espontânea que pode durar vários anos. Cerca de 75% dos casos regridem totalmente até os 7 anos de idade. Pode se manifestar como uma lesão superficial ('morango') ou profunda na órbita, causando proptose ou ptose.
Embora seja benigno e tenda à regressão, o hemangioma capilar pode causar sérios danos à visão se não for monitorado. A principal complicação é a ambliopia, que pode ocorrer por três mecanismos: 1) Ambliopia por privação, se a lesão causar ptose e ocluir o eixo visual; 2) Ambliopia refracional, devido ao astigmatismo induzido pela pressão da massa sobre o globo ocular; e 3) Ambliopia por estrabismo, se a massa orbitária deslocar o olho e impedir o alinhamento binocular. Por isso, o acompanhamento com oftalmopediatra é essencial durante a fase proliferativa.
Historicamente, utilizavam-se corticosteroides (locais ou sistêmicos), mas atualmente o padrão-ouro para hemangiomas que ameaçam a visão é o uso de betabloqueadores sistêmicos, especificamente o Propranolol. O Propranolol promove a vasoconstrição e a apoptose das células endoteliais do tumor, levando a uma regressão muito mais rápida e segura. O tratamento deve ser iniciado precocemente na fase de crescimento e requer monitoramento cardíaco e glicêmico. Casos pequenos e que não afetam o eixo visual ou a refração podem ser apenas observados aguardando a involução natural.
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