H. Pylori e Úlcera Gástrica: Fisiopatologia e Diagnóstico

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 56 anos, feirante, vem se queixando de dor epigástrica há uma semana, associada a eructação frequente e sensação de plenitude gástrica. Há um dia, apresentou episódio de fezes enegrecidas e amolecidas, o que a fez procurar auxílio médico. A endoscopia digestiva alta teve como diagnóstico úlcera gástrica Forrest III e teste da urease positivo para H. pylori, com gastrite antral. Em relação ao quadro, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) a formação da úlcera péptica precede a infecção por H.pylori, que se utiliza da solução de continuidade da mucosa para se alojar dentro ou abaixo da mesma.
  2. B) o H.pylori é um potente produtor de urease, que é capaz de dividir a ureia em amônia e bicarbonato, criando um microambiente alcalino em um meio ácido do ambiente gástrico.
  3. C) para aumentar a acuidade e diminuir os casos de falso-negativos na pesquisa de H.pylori pelo teste da urease, é necessário iniciar inibidores das bombas de prótons, antes da endoscopia.
  4. D) o teste não invasivo baseado em sorologia que avalia a presença de anticorpos IgG para o H. pylori é o método de escolha para avaliar a erradicação da bactéria pós- tratamento.
  5. E) o tratamento de erradicação do H.pylori com a terapia tripla inclui um inibidor da bomba de próton por 4 semanas, claritromicina e tetraciclina por 7 a 10 dias.

Pérola Clínica

H. pylori produz urease → amônia + bicarbonato → microambiente alcalino no estômago ácido.

Resumo-Chave

A capacidade do H. pylori de produzir urease é fundamental para sua sobrevivência no ambiente gástrico ácido. A urease hidrolisa a ureia em amônia e dióxido de carbono, com a amônia neutralizando o ácido clorídrico localmente, permitindo a colonização e persistência da bactéria.

Contexto Educacional

Helicobacter pylori é uma bactéria gram-negativa que coloniza a mucosa gástrica, sendo a principal causa de gastrite crônica, úlcera péptica e um fator de risco para adenocarcinoma gástrico e linfoma MALT. Sua prevalência é alta globalmente, e a erradicação é crucial para a prevenção de doenças gastroduodenais. A capacidade do H. pylori de sobreviver no ambiente ácido do estômago deve-se à produção da enzima urease, que hidrolisa a ureia em amônia e bicarbonato, criando um microambiente alcalino protetor ao redor da bactéria. O diagnóstico pode ser feito por métodos invasivos (biópsia com teste da urease, histopatologia, cultura) ou não invasivos (teste respiratório da ureia, pesquisa de antígenos nas fezes, sorologia). O tratamento de erradicação geralmente envolve terapia tripla ou quádrupla com inibidores da bomba de prótons (IBP) e dois ou mais antibióticos (como claritromicina, amoxicilina, metronidazol, tetraciclina, bismuto) por 7 a 14 dias. A sorologia não é indicada para controle de cura, pois os anticorpos podem persistir por anos após a erradicação.

Perguntas Frequentes

Como o H. pylori sobrevive no estômago?

O H. pylori sobrevive no ambiente ácido do estômago produzindo a enzima urease, que hidrolisa a ureia em amônia e dióxido de carbono. A amônia neutraliza o ácido clorídrico localmente, criando um microambiente alcalino protetor ao redor da bactéria.

Qual a importância do teste da urease para H. pylori?

O teste da urease é um método diagnóstico rápido e invasivo para H. pylori, realizado durante a endoscopia. Ele detecta a presença da enzima urease na biópsia gástrica, indicando a infecção ativa pela bactéria.

Quando iniciar IBP antes da endoscopia para H. pylori?

Para aumentar a acuidade do teste da urease e evitar falsos negativos, é recomendado suspender os inibidores da bomba de prótons (IBP) por pelo menos 14 dias antes da endoscopia e da realização do teste para H. pylori.

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