AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Homem 40 anos, úlcera duodenal ativa, H. pylori positiva. Considerando a necessidade de tratamento, qual o melhor esquema inicial de erradicação?
Esquema tríplice (IBP + Amoxicilina + Claritromicina) por 14 dias é o padrão-ouro.
A erradicação do H. pylori em úlceras ativas reduz drasticamente a recidiva. O esquema de 14 dias oferece taxas de cura superiores ao de 7 dias.
A infecção pelo Helicobacter pylori é o principal fator etiológico para úlceras pépticas e um carcinógeno de classe I para o câncer gástrico. A bactéria coloniza a mucosa gástrica, induzindo uma resposta inflamatória crônica que altera a secreção ácida e fragiliza os mecanismos de defesa da mucosa. Em pacientes com úlcera duodenal ativa, a erradicação do patógeno é obrigatória, pois altera a história natural da doença, reduzindo a taxa de recorrência ulcerosa de 80% para menos de 10% ao ano. O tratamento padrão no Brasil envolve a combinação de um Inibidor de Bomba de Prótons (IBP) em dose plena, Amoxicilina (1g) e Claritromicina (500mg), todos administrados duas vezes ao dia. A adesão do paciente é o fator mais crítico para o sucesso terapêutico, sendo necessário orientar sobre os efeitos colaterais comuns, como disgeusia (gosto metálico) e diarreia leve, para evitar a interrupção precoce do ciclo de 14 dias.
Atualmente, os principais consensos, incluindo o IV Consenso Brasileiro sobre Helicobacter pylori, recomendam que o esquema tríplice clássico (IBP, Amoxicilina e Claritromicina) seja administrado por 14 dias. Embora esquemas de 7 ou 10 dias tenham sido utilizados no passado, a duração de 14 dias demonstrou taxas de erradicação significativamente maiores, ajudando a combater a crescente resistência bacteriana, especialmente à claritromicina.
A confirmação da erradicação deve ser feita pelo menos 4 semanas após o término da antibioticoterapia e pelo menos 2 semanas após a suspensão do IBP. Os métodos preferenciais são os não invasivos, como o teste do ciclo respiratório com ureia marcada com C13 ou a pesquisa de antígeno fecal. Em pacientes com úlcera gástrica (pelo risco de malignidade), a endoscopia de controle com biópsia é mandatória, enquanto na úlcera duodenal a confirmação pode ser apenas não invasiva.
Se o esquema de primeira linha falhar, deve-se evitar repetir os mesmos antibióticos, especialmente a claritromicina, devido à resistência adquirida. As opções de segunda linha incluem a terapia quádrupla com bismuto (IBP, Bismuto, Tetraciclina e Metronidazol) ou esquemas contendo levofloxacino. A escolha deve considerar o histórico de uso de antibióticos do paciente e a disponibilidade local de medicamentos.
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