UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente masculino, 47 anos, vem apresentando há 2 meses dor epigástrica de forte intensidade, com despertar noturno. Realizou endoscopia digestiva alta para investigação do quadro que evidenciou úlcera em parede anterior de bulbo duodenal de 2 cm de diâmetro, classificação endoscópica A1 de Sakita. Além da doença ulcerosa péptica, qual das opções abaixo é uma indicação para o tratamento do Helicobacter pylori?
H. pylori deve ser erradicado na úlcera péptica, linfoma MALT e Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI).
Além da doença ulcerosa, a erradicação do H. pylori é indicada em condições extragástricas como a PTI e anemia ferropriva refratária, onde a bactéria pode ter papel patogênico.
O Helicobacter pylori é uma bactéria gram-negativa que coloniza a mucosa gástrica, sendo o principal agente etiológico da gastrite crônica e úlcera péptica. No entanto, sua importância clínica expandiu-se para além do estômago. A associação com a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) é uma das indicações extragástricas mais consolidadas, onde a erradicação pode levar à remissão hematológica em casos selecionados.\n\nO diagnóstico pode ser feito por métodos invasivos (endoscopia com teste da urease ou histologia) ou não invasivos (teste respiratório da ureia marcada ou antígeno fecal). O tratamento padrão atual envolve a terapia quádrupla (IBP + Bismuto + duas antibióticos) ou tripla otimizada, visando combater a crescente resistência à claritromicina.
Estudos demonstraram que uma parcela significativa de pacientes adultos com PTI apresenta aumento na contagem de plaquetas após a erradicação do H. pylori. O mecanismo provável envolve mimetismo molecular entre antígenos da bactéria e glicoproteínas plaquetárias, levando à produção de autoanticorpos. Por isso, diretrizes internacionais recomendam a pesquisa e tratamento em pacientes com PTI.
As indicações absolutas incluem: úlcera péptica ativa ou cicatrizada, linfoma MALT gástrico de baixo grau, após ressecção de câncer gástrico precoce e em parentes de primeiro grau de pacientes com câncer gástrico. Também é indicado em casos de gastrite atrófica e metaplasia intestinal.
Sim. Pacientes que iniciarão uso crônico de AINEs ou AAS e possuem história de úlcera péptica devem ser testados e tratados para H. pylori, pois a presença da bactéria e o uso desses medicamentos são fatores de risco independentes e sinérgicos para o desenvolvimento de úlceras e sangramentos.
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