H. pylori e Esofagite Erosiva: Quando Tratar?

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino de 55 anos, previamente hígido, sem comorbidades, sem histórico familiar de neoplasias, refere que apresenta pirose diária há 4 meses, sendo mais frequente na madrugada. Afirma ter alívio parcial com hidróxido de alumínio. O médico da UBS solicitou endoscopia que evidenciou esofagite erosiva grau B de Los Angeles, associada à urease positiva na pesquisa de Helicobacter pylori na mucosa gástrica. Em relação ao H. pylori, qual a conduta inicial nesse caso?

Alternativas

  1. A) Tratamento com amoxicilina + claritromicina + inibidor de bomba de próton por 1 semana.
  2. B) Não há necessidade de tratamento do H. pylori nesse momento.
  3. C) Tratamento com amoxicilina + claritromicina + inibidor de bomba de próton por 2 semanas.
  4. D) Repetir a endoscopia para realizar biópsia gástrica com coloração de Giemsa a fim de confirmar o diagnóstico.

Pérola Clínica

H. pylori em esofagite erosiva não é indicação primária de erradicação; tratar DRGE primeiro.

Resumo-Chave

A presença de Helicobacter pylori em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e esofagite erosiva não é, por si só, uma indicação para erradicação. O tratamento inicial deve focar na DRGE com inibidores de bomba de prótons (IBP). A erradicação do H. pylori pode até, em alguns casos, piorar os sintomas de refluxo.

Contexto Educacional

O Helicobacter pylori é uma bactéria gram-negativa que coloniza a mucosa gástrica e está associada a diversas patologias, como gastrite crônica, úlcera péptica, linfoma MALT e adenocarcinoma gástrico. No entanto, sua presença nem sempre exige erradicação imediata, e as indicações para tratamento são bem estabelecidas. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e a esofagite erosiva são condições comuns, e a detecção de H. pylori em pacientes com DRGE levanta a questão da necessidade de erradicação. Atualmente, a maioria das diretrizes não recomenda a erradicação rotineira do H. pylori em pacientes com DRGE e esofagite erosiva, a menos que existam outras indicações concomitantes para o tratamento da bactéria. O manejo da esofagite erosiva e da pirose deve focar no controle da secreção ácida com inibidores de bomba de prótons (IBP) e na modificação de hábitos de vida. A erradicação do H. pylori pode, em alguns indivíduos, levar a um aumento da acidez gástrica e, paradoxalmente, agravar os sintomas de refluxo. Portanto, a decisão de tratar o H. pylori deve ser baseada em indicações claras e não apenas na sua presença.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para erradicação do Helicobacter pylori?

As principais indicações incluem úlcera péptica (gástrica ou duodenal), linfoma MALT gástrico, gastrite atrófica, dispepsia funcional (após falha de tratamento empírico), e pacientes com histórico familiar de câncer gástrico ou que serão submetidos a cirurgia bariátrica.

Por que a erradicação do H. pylori pode não ser indicada em pacientes com DRGE e esofagite?

A erradicação do H. pylori pode, em alguns casos, levar a um aumento da secreção ácida gástrica, o que teoricamente poderia piorar os sintomas de refluxo em pacientes com DRGE. Além disso, não há evidências claras de que a erradicação melhore a esofagite erosiva.

Qual a conduta inicial para um paciente com esofagite erosiva grau B e pirose?

A conduta inicial para esofagite erosiva grau B e pirose é o tratamento com inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose plena por 8 a 12 semanas, além de medidas comportamentais e dietéticas para controle do refluxo.

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