UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023
Paciente masculino de 55 anos, previamente hígido, sem comorbidades, sem histórico familiar de neoplasias, refere que apresenta pirose diária há 4 meses, sendo mais frequente na madrugada. Afirma ter alívio parcial com hidróxido de alumínio. O médico da UBS solicitou endoscopia que evidenciou esofagite erosiva grau B de Los Angeles, associada à urease positiva na pesquisa de Helicobacter pylori na mucosa gástrica. Em relação ao H. pylori, qual a conduta inicial nesse caso?
H. pylori em esofagite erosiva não é indicação primária de erradicação; tratar DRGE primeiro.
A presença de Helicobacter pylori em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e esofagite erosiva não é, por si só, uma indicação para erradicação. O tratamento inicial deve focar na DRGE com inibidores de bomba de prótons (IBP). A erradicação do H. pylori pode até, em alguns casos, piorar os sintomas de refluxo.
O Helicobacter pylori é uma bactéria gram-negativa que coloniza a mucosa gástrica e está associada a diversas patologias, como gastrite crônica, úlcera péptica, linfoma MALT e adenocarcinoma gástrico. No entanto, sua presença nem sempre exige erradicação imediata, e as indicações para tratamento são bem estabelecidas. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e a esofagite erosiva são condições comuns, e a detecção de H. pylori em pacientes com DRGE levanta a questão da necessidade de erradicação. Atualmente, a maioria das diretrizes não recomenda a erradicação rotineira do H. pylori em pacientes com DRGE e esofagite erosiva, a menos que existam outras indicações concomitantes para o tratamento da bactéria. O manejo da esofagite erosiva e da pirose deve focar no controle da secreção ácida com inibidores de bomba de prótons (IBP) e na modificação de hábitos de vida. A erradicação do H. pylori pode, em alguns indivíduos, levar a um aumento da acidez gástrica e, paradoxalmente, agravar os sintomas de refluxo. Portanto, a decisão de tratar o H. pylori deve ser baseada em indicações claras e não apenas na sua presença.
As principais indicações incluem úlcera péptica (gástrica ou duodenal), linfoma MALT gástrico, gastrite atrófica, dispepsia funcional (após falha de tratamento empírico), e pacientes com histórico familiar de câncer gástrico ou que serão submetidos a cirurgia bariátrica.
A erradicação do H. pylori pode, em alguns casos, levar a um aumento da secreção ácida gástrica, o que teoricamente poderia piorar os sintomas de refluxo em pacientes com DRGE. Além disso, não há evidências claras de que a erradicação melhore a esofagite erosiva.
A conduta inicial para esofagite erosiva grau B e pirose é o tratamento com inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose plena por 8 a 12 semanas, além de medidas comportamentais e dietéticas para controle do refluxo.
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