INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Homem com 50 anos de idade foi atendido no ambulatório de Clínica Médica por apresentar dor epigástrica em queimação pós-prandial, de moderada intensidade. Informa que, ocasionalmente, acorda durante a noite por causa da dor. O exame físico é sem alterações. O paciente foi submetido a endoscopia digestiva alta que revelou pequena ulceração em bulbo duodenal, de aspecto endoscópico benigno e teste da urease positivo. A conduta terapêutica indicada para o paciente é prescrever:
H. pylori (+) em úlcera duodenal → IBP + Amoxicilina + Claritromicina por 14 dias.
O tratamento padrão para úlcera duodenal associada ao H. pylori envolve a erradicação da bactéria com esquema tríplice por 14 dias para garantir a cura e evitar recidivas.
O manejo da úlcera duodenal evoluiu significativamente com a descoberta do H. pylori. O teste da urease positivo durante a endoscopia confirma a infecção. O tratamento foca na erradicação com o esquema tríplice (IBP + Amoxicilina + Claritromicina). Em regiões com alta resistência à claritromicina (>15%), esquemas alternativos como a terapia quádrupla com bismuto ou esquemas contendo levofloxacina podem ser considerados. O tempo de 14 dias é o atual padrão-ouro para maximizar a eficácia terapêutica e minimizar a seleção de cepas resistentes.
O esquema de primeira linha recomendado no Brasil para a erradicação do Helicobacter pylori é o esquema tríplice clássico. Ele consiste na administração de um Inibidor de Bomba de Prótons (IBP) em dose plena (ex: Omeprazol 20mg, Lansoprazol 30mg ou Pantoprazol 40mg) duas vezes ao dia, associado a dois antibióticos: Amoxicilina (1g) e Claritromicina (500mg), também duas vezes ao dia. Atualmente, as diretrizes recomendam que a duração desse tratamento seja de 14 dias, pois períodos mais curtos (7 ou 10 dias) têm demonstrado taxas de erradicação inferiores devido ao aumento da resistência bacteriana, especialmente à claritromicina.
O Helicobacter pylori é o principal fator etiológico das úlceras pépticas (gástricas e duodenais). A presença da bactéria causa uma inflamação crônica da mucosa que altera a secreção ácida e reduz os mecanismos de defesa gastroduodenal. Tratar apenas a acidez com IBPs promove a cicatrização temporária, mas a taxa de recidiva da úlcera em um ano chega a 80% se a bactéria persistir. A erradicação bem-sucedida do H. pylori reduz essa taxa para menos de 5%, além de diminuir drasticamente o risco de complicações como hemorragia digestiva e perfuração, e prevenir o desenvolvimento de adenocarcinoma gástrico e linfoma MALT.
A confirmação da erradicação do H. pylori deve ser realizada em todos os pacientes tratados, preferencialmente pelo menos 4 a 8 semanas após o término da antibioticoterapia e pelo menos 2 semanas após a suspensão do IBP. Os métodos de escolha são os testes não invasivos, como o teste do hálito com ureia marcada com C13 ou a pesquisa de antígeno fecal. A endoscopia digestiva alta de controle com biópsias só é estritamente necessária em casos de úlcera gástrica (para excluir malignidade) ou se o paciente permanecer sintomático apesar do tratamento adequado.
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