ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um homem de 60 anos apresenta-se ao consultório com queixas de dor abdominal epigástrica persistente há seis meses, perda de peso não intencional de 10 kg e sensação de plenitude pósprandial precoce. Ele também relata episódios de náusea e vômito, ocasionalmente com sangue. O paciente tem histórico de tabagismo e consumo regular de álcool, além de uma dieta rica em alimentos processados e salgados. No exame físico, nota-se palidez e linfonodos supraclaviculares aumentados. A endoscopia digestiva alta revela uma lesão ulcerada no antro gástrico, e a biópsia confirma a presença de adenocarcinoma gástrico. O fator de risco mais significativo associado ao desenvolvimento do câncer de estômago no caso desse paciente é:
H. pylori = Principal fator de risco para adenocarcinoma gástrico distal (Carcinógeno Tipo I).
A infecção crônica pelo H. pylori é o gatilho mais potente para a sequência de alterações na mucosa gástrica que culminam no adenocarcinoma, superando fatores dietéticos e comportamentais.
O adenocarcinoma gástrico é uma das principais causas de morte por câncer no mundo. O caso clínico apresenta sinais clássicos de alarme: dor epigástrica persistente, perda de peso, saciedade precoce e o linfonodo de Virchow, que sinaliza disseminação linfática. A Organização Mundial da Saúde classifica o H. pylori como um carcinógeno do Grupo 1. A erradicação da bactéria reduz significativamente a incidência de câncer gástrico, especialmente se realizada antes do desenvolvimento de atrofia grave ou metaplasia intestinal. A dieta rica em sal e o tabagismo atuam como cofatores, acelerando o dano à mucosa iniciado pela infecção bacteriana.
A infecção pelo Helicobacter pylori promove a carcinogênese gástrica através de uma resposta inflamatória crônica persistente. A bactéria induz a produção de citocinas pró-inflamatórias e espécies reativas de oxigênio que causam danos ao DNA das células epiteliais. O processo segue a 'Cascata de Correa': a gastrite crônica evolui para gastrite atrófica, seguida de metaplasia intestinal, displasia e, finalmente, adenocarcinoma. Fatores de virulência específicos, como as proteínas CagA e VacA, potencializam esse risco ao interferir nas vias de sinalização celular e apoptose.
Além do H. pylori, outros fatores significativos incluem: dieta rica em alimentos defumados, salgados e processados (nitritos/nitratos); tabagismo; consumo excessivo de álcool; obesidade; e histórico familiar (fatores genéticos como mutações no gene CDH1). A anemia perniciosa e a gastrite atrófica autoimune também aumentam o risco. No entanto, epidemiologicamente, a carga atribuível à infecção bacteriana é a maior em escala global.
O linfonodo de Virchow é o aumento do linfonodo supraclavicular esquerdo. Sua presença em um paciente com sintomas dispépticos e perda de peso sugere fortemente metástase linfonodal à distância de uma neoplasia abdominal, mais comumente o adenocarcinoma gástrico. É um sinal de doença avançada (estádio IV) e indica que o tratamento cirúrgico curativo pode não ser mais possível, exigindo uma abordagem paliativa ou sistêmica.
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