FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Um homem de 51 anos relata historia de diabetes melito tipo 2 há 6 anos. A historia patológica pregressa é significativa para a infecção crônica por hepatite C, doença renal crônica estagio 3 e uma hospitalização recente por um sangramento gastrointestinal superior. Ele utiliza sulfonilureia para controle glicêmico e raramente verifica sua glicemia. A concentração de glicose plasmática em jejum no consultório é de 195 mg/dL e a HbA1c é de 6,8%. O que você conclui sobre o controle glicêmico?
Doença hepática crônica ou anemia → HbA1c falsamente baixa, subestimando o controle glicêmico.
A doença hepática crônica, como a hepatite C, pode levar a uma eritropoiese alterada e menor tempo de vida das hemácias, resultando em uma HbA1c falsamente baixa que não reflete o controle glicêmico real, especialmente com glicemia de jejum elevada.
A hemoglobina glicada (HbA1c) é um marcador crucial para o monitoramento do controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus, refletindo a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses. No entanto, sua interpretação exige cautela, especialmente em pacientes com comorbidades que podem influenciar a vida útil das hemácias ou a eritropoiese, levando a resultados falsamente elevados ou baixos. A doença hepática crônica, como a infecção por hepatite C mencionada na questão, é uma condição que pode afetar a eritropoiese e a sobrevida das hemácias. Em pacientes com doença hepática avançada, a eritropoiese pode ser alterada, e a vida média das hemácias pode estar reduzida. Hemácias mais jovens têm menos tempo para serem glicadas, o que resulta em uma HbA1c falsamente baixa, subestimando o verdadeiro nível de descontrole glicêmico. Diante de uma HbA1c que parece inconsistente com a glicemia de jejum ou com o quadro clínico (como no caso de glicemia de jejum de 195 mg/dL e HbA1c de 6,8%), é fundamental considerar fatores que podem falsear o resultado. Nesses casos, a avaliação do controle glicêmico deve ser complementada com monitoramento mais frequente da glicemia capilar e, se necessário, outros marcadores como a frutosamina, para um manejo terapêutico mais preciso e seguro.
Condições que diminuem a vida útil das hemácias ou afetam a eritropoiese, como anemias hemolíticas, sangramentos agudos ou crônicos, doença hepática crônica e doença renal crônica (em alguns contextos), podem levar a uma HbA1c falsamente baixa.
A doença hepática crônica pode alterar a eritropoiese e o metabolismo das hemácias, diminuindo sua sobrevida. Com hemácias mais jovens, há menos tempo para a glicação da hemoglobina, resultando em valores de HbA1c que subestimam o controle glicêmico real.
Quando a HbA1c não é confiável, o controle glicêmico deve ser avaliado por meio de monitoramento mais frequente da glicemia capilar (jejum e pós-prandial), perfil glicêmico e, em alguns casos, dosagem de frutosamina ou glicose média estimada.
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