USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Homem, 44 anos, há 9 anos apresenta lesões na pele. No exame clínico, observa-se infiltração difusa da face e orelhas, além de madarose. Há várias pápulas e nódulos infiltrados, de cor eritêmato-acastanhados (imagem). O exame histopatológico de lesão cutânea evidenciou presença de macrófagos espumosos ao redor de filete nervoso. Quais os achados clínico-laboratoriais encontrados na principal hipótese diagnóstica para o caso?
Hanseníase Virchowiana → Infiltração difusa face/orelhas, madarose, nódulos eritêmato-acastanhados, histopatologia com macrófagos espumosos (células de Virchow), baciloscopia positiva.
A hanseníase virchowiana (lepromatosa) é a forma multibacilar da doença, caracterizada por lesões cutâneas difusas e infiltrativas, como nódulos e placas, especialmente na face e orelhas (fácies leonina), e madarose. O achado histopatológico de macrófagos espumosos (células de Virchow) repletos de bacilos e a baciloscopia positiva são diagnósticos.
A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. A hanseníase virchowiana, ou lepromatosa, representa o polo multibacilar da doença, caracterizada por uma resposta imune celular deficiente ao bacilo, resultando em alta carga bacilar e lesões cutâneas extensas e difusas. Clinicamente, a hanseníase virchowiana manifesta-se por infiltração difusa da pele, que pode levar ao espessamento da face e orelhas, formando a clássica 'fácies leonina'. Pápulas e nódulos eritêmato-acastanhados são comuns, e a madarose é um sinal altamente sugestivo. Neuropatia periférica é presente, mas geralmente simétrica e menos incapacitante inicialmente que na forma tuberculoide. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, baciloscopia positiva (índice bacilar elevado) e histopatologia. A histopatologia revela um infiltrado inflamatório difuso de macrófagos espumosos (células de Virchow) repletos de bacilos, que podem ser visualizados com coloração de Fite-Faraco. Para o residente, é crucial reconhecer essa forma da doença, pois o tratamento com politerapia é essencial para interromper a transmissão e prevenir sequelas.
A hanseníase virchowiana, ou lepromatosa, manifesta-se clinicamente por infiltração difusa da pele, especialmente na face e orelhas, levando à 'fácies leonina'. Observam-se pápulas e nódulos eritêmato-acastanhados, e a madarose (perda de pelos, especialmente supercílios e cílios) é um sinal clássico. O comprometimento nervoso é simétrico e difuso.
A baciloscopia de esfregaço intradérmico é fundamental no diagnóstico da hanseníase virchowiana. Devido à alta carga bacilar nesta forma da doença, a pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) é geralmente positiva, confirmando a presença de Mycobacterium leprae e classificando a doença como multibacilar.
O exame histopatológico de lesões cutâneas na hanseníase lepromatosa tipicamente revela um infiltrado inflamatório difuso na derme, composto por macrófagos espumosos (células de Virchow) que contêm numerosos bacilos de Mycobacterium leprae. Pode haver também comprometimento de filetes nervosos, com a presença de bacilos dentro dos macrófagos perineurais.
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