Prova 2026
Um paciente de 54 anos apresenta múltiplas pápulas e nódulos eritematovioláceos, de consistência suculenta, distribuídos simetricamente no tronco e membros, associados a madarose e obstrução nasal crônica. A biópsia de uma lesão cutânea revela uma derme preenchida por um infiltrado difuso de macrófagos com citoplasma espumoso (células de Virchow), repletos de bacilos álcool-ácido resistentes. Observa-se, entretanto, uma faixa estreita de colágeno dérmico superficial completamente preservada, separando o infiltrado da epiderme suprajacente. Considerando a fisiopatologia dessa apresentação, o mecanismo que explica a presença dessa faixa de colágeno preservada (espaço de Unna) é:
Espaço de Unna + Células de Virchow + Anergia Th2 = Hanseníase Virchowiana.
O Espaço de Unna (faixa de colágeno preservada) ocorre na hanseníase virchowiana devido à anergia imunológica (padrão Th2) que impede a agressão à derme papilar.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium leprae, cujo espectro clínico é determinado pela resposta imune do hospedeiro. Na forma Virchowiana (polo multibacilar), há uma falha na imunidade mediada por células, permitindo a disseminação hematogênica dos bacilos. Histologicamente, a derme é ocupada por um infiltrado difuso de macrófagos repletos de bacilos (globias), mas a derme papilar é poupada, criando o Espaço de Unna. Esse fenômeno ocorre pela incapacidade do sistema imune em organizar uma resposta inflamatória que alcance as camadas mais superficiais da derme sob condições de anergia. O diagnóstico precoce e a poliquimioterapia (PQT) são fundamentais para interromper a transmissão e prevenir incapacidades físicas permanentes.
O Espaço de Unna, também conhecido como 'Grenz zone', é uma faixa estreita de colágeno dérmico superficial (derme papilar) que permanece preservada e livre de infiltrado inflamatório, separando a epiderme do infiltrado granulomatoso ou histiocitário subjacente. É um achado histopatológico clássico da hanseníase virchowiana, indicando que o processo inflamatório não agride a junção dermoepidérmica, ao contrário do que ocorre na forma tuberculoide.
A hanseníase tuberculoide caracteriza-se por uma resposta imune celular robusta (padrão Th1), com produção de IFN-gama e IL-2, levando à formação de granulomas epitelioides que destroem bacilos e nervos. Já a forma virchowiana apresenta anergia celular específica ao M. leprae (padrão Th2), com produção de IL-4 e IL-10, resultando em multiplicação bacilar desenfreada dentro de macrófagos vacuolizados, conhecidos como células de Virchow.
Manifesta-se por lesões cutâneas disseminadas e simétricas, como pápulas, nódulos (hansenomas) e infiltração difusa da pele (fácies leonina). Outros sinais incluem madarose (perda do terço distal das sobrancelhas), obstrução nasal crônica por infiltração da mucosa e comprometimento neural periférico extenso e simétrico. Por ser uma forma multibacilar, a baciloscopia é positiva e o paciente é um importante transmissor da doença.
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