TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere que um homem, 60 anos de idade, viúvo, foi trazido por vizinhos ao atendimento ambulatorial do SUS com quadro de ferida em nariz. Acompanhante relata que desde a morte da esposa, há dois anos, o paciente se alimenta mal, não cuida da higiene pessoal e a ferida no nariz não melhora. Ao exame, apresenta perda da sensibilidade local e como apresentando na imagem a seguir, possui acometimento inclusive do septo nasal. eritema e infiltração difusos, placas eritematosas de pele (infiltradas e de bordas mal definidas), tubérculos e nódulos, madarose e lesões das mucosas, com alteração de sensibilidade: Nesse caso, qual é o diagnóstico mais provável?
Infiltração difusa + madarose + perda de sensibilidade + lesão septal = Hanseníase Virchowiana.
A forma Virchowiana representa a falha da imunidade celular (Th2), resultando em alta carga bacilar, infiltração cutânea generalizada e acometimento de mucosas e nervos.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com alto poder incapacitante se não tratada precocemente. A forma Virchowiana é a expressão máxima da falta de resistência do hospedeiro, apresentando-se com lesões cutâneas polimorfas (pápulas, nódulos, placas) e infiltração progressiva da face (fácies leonina). A perda de sensibilidade é um marco diagnóstico crucial, diferenciando-a de outras dermatoses infiltrativas. No Brasil, a hanseníase permanece como um problema de saúde pública significativo, exigindo alto índice de suspeição clínica em áreas endêmicas, especialmente diante de quadros de neuropatia periférica associada a alterações dermatológicas.
A Hanseníase Virchowiana (ou lepromatosa) é o polo multibacilar da doença, caracterizado por uma resposta imune celular deficiente (perfil Th2) contra o Mycobacterium leprae. Isso permite a multiplicação desenfreada dos bacilos, que se disseminam por via hematogênica, atingindo pele, nervos, mucosas e órgãos internos. Diferente da forma tuberculoide (Th1), os testes de Mitsuda são negativos nesta forma clínica.
O Mycobacterium leprae tem predileção por áreas mais frias do corpo, como a mucosa nasal. O acometimento do septo nasal é comum, levando a rinite crônica, formação de crostas, epistaxe e, eventualmente, perfuração septal e desabamento da pirâmide nasal (nariz em sela). A infiltração da laringe também pode ocorrer, causando rouquidão progressiva.
O esquema padrão da OMS para Hanseníase Multibacilar (MB) envolve a Poliquimioterapia (PQT) com Rifampicina (600mg mensal), Clofazimina (300mg mensal e 50mg diário) e Dapsona (100mg diário). O tratamento dura 12 meses (podendo ser estendido a 18 meses em casos específicos). O acompanhamento deve incluir a avaliação de incapacidades físicas e a vigilância para reações hansênicas.
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