Hanseníase Virchowiana: Diagnóstico e Exames Laboratoriais

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 45 anos, foi consultar na Unidade Básica de Saúde devido obstrução nasal, dificuldade ao segurar o copo e perda constante dos chinelos há 12 meses. O exame físico mostrava madarose bilateral, ressecamento e perda de pelos nos antebraços e nas pernas, dedos das mãos edemaciados, além de pápulas da cor da pele esparsas nos membros e no tronco. Qual a suspeita diagnóstica e quais os exames podem ser solicitados para a comprovação diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Sífilis secundária – Testes sorológicos para a detecção de espiroquetas.
  2. B) Linfoma cutâneo – Pesquisa de células neoplásicas linfoides no histopatológico de lesão cutânea.
  3. C) Hanseníase virchowiana – Baciloscopias de raspado intradérmico para a pesquisa do Mycobacterium leprae.
  4. D) Leishmaniose cutânea difusa – Pesquisa de Leishmania spp no histopatológico de lesão cutânea.

Pérola Clínica

Madarose + infiltração cutânea + perda de força distal/sensibilidade → Hanseníase Virchowiana.

Resumo-Chave

A forma Virchowiana é a manifestação multibacilar da hanseníase, caracterizada por imunidade celular nula, infiltração cutânea difusa e acometimento neural periférico simétrico.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae. A apresentação clínica depende da resposta imune do hospedeiro. Na forma Virchowiana (polo instável e multibacilar), há uma resposta imune celular Th2 ineficaz, permitindo a multiplicação desenfreada de bacilos. Isso gera um quadro sistêmico com infiltração progressiva da pele, mucosas e nervos. O reconhecimento precoce é vital para interromper a cadeia de transmissão e prevenir incapacidades físicas permanentes. O tratamento é realizado com a Poliquimioterapia (PQT) multibacilar (Rifampicina, Dapsona e Clofazimina) por 12 meses. A baciloscopia negativa não exclui hanseníase em formas paucibacilares, mas é quase sempre positiva na forma virchowiana, sendo uma ferramenta diagnóstica e de classificação fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da hanseníase virchowiana?

A hanseníase virchowiana manifesta-se por infiltração cutânea difusa (fácies leonina em casos avançados), madarose bilateral (perda do terço distal das sobrancelhas), pápulas, nódulos (hanseniomas) e placas eritematosas. O acometimento neural é simétrico e progressivo, levando a déficits motores (como dificuldade em segurar objetos) e sensitivos (perda de chinelos por anestesia plantar). Também é comum a obstrução nasal por infiltração da mucosa e ressecamento cutâneo devido ao comprometimento autonômico.

Como é realizado o diagnóstico laboratorial nesta forma clínica?

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a confirmação na forma virchowiana (multibacilar) é feita pela baciloscopia de raspado intradérmico. Coleta-se material de pelo menos quatro sítios (geralmente lobos auriculares, cotovelos e uma lesão ativa). A coloração de Ziehl-Neelsen revela a presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR), frequentemente formando globias. O índice baciloscópico costuma ser elevado nesta forma da doença.

Por que ocorre a perda de pelos e o ressecamento na hanseníase?

Esses fenômenos decorrem da invasão bacilar direta e da inflamação dos anexos cutâneos e nervos periféricos. O Mycobacterium leprae tem tropismo por nervos e células de Schwann. A destruição das fibras autonômicas simpáticas que inervam as glândulas sudoríparas e os músculos eretores dos pelos causa anidrose (falta de suor) e alopecia/madarose, resultando em pele seca, quebradiça e sem pelos nas áreas afetadas.

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