FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Menino de 17 anos é encaminhado ao ambulatório de hanseníase devido algumas poucas lesões anulares com bordas papulosas, levemente eritematosas, assimétricas, localizadas em face. Em uma de suas lesões é observado um filete nervoso superficial, espessado, surgindo a partir da lesão. Ao exame neurológico é suspeitado de paralisia facial e observado lagoftalmo. A baciloscopia è negativa, teste de Mitsuda positivo. Histopatologia com células epitelioides, halo linfocitário, células gigantes e destruição neural. Qual a classificação da Hanseniase que pode ser atribuída com base no relatoacima?
Hanseníase Tuberculoide = Mitsuda (+) + Baciloscopia (-) + Lesões bem delimitadas.
A forma tuberculoide representa o polo de alta resistência imunológica (Th1), caracterizada por poucas lesões, baciloscopia negativa e forte reação granulomatosa que frequentemente destrói nervos periféricos precocemente.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, cujo espectro clínico depende da interação patógeno-hospedeiro. Na classificação de Ridley-Jopling, o polo tuberculoide (TT) reflete uma imunidade celular robusta que impede a proliferação sistêmica do bacilo, mas causa inflamação intensa nos nervos onde o bacilo se aloja. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na perda de sensibilidade e alterações motoras. O tratamento para formas paucibacilares (como a tuberculoide) envolve o esquema PQT-PB (Rifampicina e Dapsona) por 6 meses, visando a cura clínica e prevenção de incapacidades físicas.
A histopatologia revela granulomas epitelioides bem formados, com presença de células gigantes de Langhans e um denso halo linfocitário periférico. É marcante a ausência de bacilos (baciloscopia negativa) e a destruição completa ou parcial de filetes nervosos pelo processo inflamatório.
O teste de Mitsuda positivo indica que o paciente possui uma resposta imune celular (hipersensibilidade tardia) eficiente contra o Mycobacterium leprae. Isso é característico das formas paucibacilares (Tuberculoide), conferindo um melhor prognóstico em termos de carga bacteriana, embora com risco de dano neural agudo.
A forma indeterminada apresenta apenas manchas hipocrômicas com alteração de sensibilidade, sem espessamento nervoso ou infiltração. A forma tuberculoide já apresenta lesões em placas ou anulares bem delimitadas, com bordas elevadas e comprometimento nervoso nítido (como o lagoftalmo citado).
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