Hanseníase Tuberculoide: Diagnóstico e Baciloscopia

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 45 anos, apresenta há 2 anos lesão eritematosa, infiltrada, bem delimitada no antebraço esquerdo, conforme figura apresentada. Peso de 67 kg. Testes realizados demonstraram sensibilidades térmica, dolorosa e tátil diminuídas.  Assinale qual o diagnóstico e qual achado laboratorial é esperado.

Alternativas

  1. A) Eritema nodoso hansênico e baciloscopia negativa. 
  2. B) Hanseníase tuberculoide e baciloscopia negativa. 
  3. C) Hanseníase virchowiana e baciloscopia positiva. 
  4. D) Hanseníase dimorfa virchowiana e baciloscopia positiva. 

Pérola Clínica

Lesão cutânea infiltrada + bem delimitada + hipoestesia → Hanseníase tuberculoide = Baciloscopia negativa (paucibacilar).

Resumo-Chave

A hanseníase tuberculoide é caracterizada por lesões cutâneas bem delimitadas, eritematosas e infiltradas, com perda acentuada de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) na área afetada. É uma forma paucibacilar, o que significa que a baciloscopia geralmente é negativa ou com baixo índice bacilar.

Contexto Educacional

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. Sua apresentação clínica é um espectro que varia de formas paucibacilares (com poucos bacilos) a multibacilares (com muitos bacilos), dependendo da resposta imune do hospedeiro. A hanseníase tuberculoide é uma das formas paucibacilares. A hanseníase tuberculoide é caracterizada por uma forte resposta imune celular do tipo Th1, que resulta em lesões cutâneas bem delimitadas, geralmente em pequeno número, eritematosas ou hipocrômicas, e infiltradas. O achado mais distintivo é a acentuada perda de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões, devido ao acometimento dos nervos periféricos adjacentes. Pode haver também espessamento de nervos periféricos palpáveis. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade. A baciloscopia, que consiste na pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes em esfregaços de linfa dérmica, é tipicamente negativa na hanseníase tuberculoide (paucibacilar). O tratamento é feito com politerapia específica, geralmente por 6 meses, com rifampicina e dapsona.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da hanseníase tuberculoide?

A hanseníase tuberculoide apresenta lesões cutâneas únicas ou em pequeno número, bem delimitadas, eritematosas ou hipocrômicas, infiltradas e com perda acentuada de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) na área afetada, devido ao comprometimento neural.

Por que a baciloscopia é negativa na hanseníase tuberculoide?

Na hanseníase tuberculoide, a resposta imune do hospedeiro é robusta e eficaz em conter a proliferação do Mycobacterium leprae. Isso resulta em poucas bactérias nas lesões (forma paucibacilar), tornando a baciloscopia, que busca a presença de bacilos, geralmente negativa.

Como diferenciar a hanseníase tuberculoide de outras formas da doença?

A diferenciação se baseia nas características clínicas (número e tipo de lesões, comprometimento neural), nos resultados da baciloscopia (negativa na tuberculoide, positiva nas multibacilares) e, se necessário, na histopatologia da lesão, que mostra granulomas bem formados na forma tuberculoide.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo