FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
LSA, 26 anos, sexo masculino, vem para consulta na UBS com queixa de dormência em mancha próximo ao cotovelo direito há 5 meses. Durante a anamnese, o paciente relata que, há uns 10 anos, seu pai tomou algumas medicações por 12 meses que vinham numa cartela vermelha. Mensalmente, ele ia na UBS para tomar a primeira dose da cartela e as demais doses ele tomava em casa. Naquela ocasião, seu paciente residia com o pai. Durante o exame físico, evidenciou-se uma lesão próximo ao cotovelo direito, com bordos elevados e delimitados com centro limpo, detectou-se ausência de sensibilidade térmica na referida lesão. Além disso, no exame dermatoneurológico, não foi encontrada nenhuma alteração dermatoneurológica em ambos os olhos mas, foi detectada hipoestesia em mão direita (não sentiu o monofilamento lilás em duas regiões da mão direita), e nenhuma alteração dermatoneurologica tanto na mão esquerda como em ambos os membros inferiores. Qual a principal hipótese diagnóstica e qual o grau de incapacidade?
Hanseníase tuberculóide = lesão única, bem delimitada, anestésica + comprometimento neural. Grau 1 = alteração sensitiva.
O quadro clínico de lesão única, bem delimitada, com anestesia e hipoestesia em mão direita, associado ao histórico de contato intradomiciliar com caso tratado de hanseníase, sugere hanseníase tuberculóide. A presença de alteração sensitiva (hipoestesia) sem deformidade visível classifica o grau de incapacidade como 1.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar incapacidades e interromper a cadeia de transmissão. A história de contato intradomiciliar com um caso de hanseníase é um fator de risco importante, como no caso apresentado. A forma tuberculóide da hanseníase é caracterizada por uma resposta imune celular robusta, resultando em poucas lesões cutâneas (paucibacilares), bem delimitadas, com bordos elevados e centro claro, e, crucialmente, com perda de sensibilidade (anestesia ou hipoestesia). O comprometimento neural é evidente, manifestando-se como dormência ou alterações sensitivas em áreas inervadas pelos nervos afetados. O exame dermatoneurológico, incluindo o teste de sensibilidade com monofilamentos, é essencial para identificar essas alterações. A classificação do grau de incapacidade é vital para o manejo e prognóstico do paciente. Grau 0 indica ausência de incapacidade. Grau 1 é caracterizado por alterações de sensibilidade em mãos, pés ou olhos, sem deformidades visíveis. Grau 2 envolve deformidades ou lesões visíveis. No caso, a hipoestesia na mão direita sem deformidade visível indica Grau 1. O tratamento é feito com politerapia específica, e o acompanhamento dos contatos é mandatório.
A hanseníase tuberculóide geralmente se manifesta com poucas lesões cutâneas (paucibacilar), bem delimitadas, eritematosas ou hipocrômicas, com bordas elevadas e centro claro. A característica mais marcante é a anestesia ou hipoestesia na lesão e em nervos periféricos.
O grau de incapacidade é classificado de 0 a 2. Grau 0: nenhuma incapacidade. Grau 1: alteração de sensibilidade em mãos, pés ou olhos, sem deformidades visíveis. Grau 2: deformidades ou lesões visíveis em mãos, pés ou olhos.
O exame dermatoneurológico é crucial para o diagnóstico da hanseníase, pois avalia a sensibilidade cutânea (térmica, tátil, dolorosa) nas lesões e a função dos nervos periféricos (sensibilidade e motricidade), identificando o comprometimento neural, que é patognomônico da doença.
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