Hanseníase Tuberculoide: Diagnóstico Clínico e Histopatológico

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 36 anos de idade apresenta há 9 meses placa eritêmato-infiltrada, com borda elevada, ovalada, de 6 cm, anestésica, no braço esquerdo. O exame histopatológico da lesão mostrou dermatite granulomatosa não-caseosa, com células gigantes tipo Langhans e infiltrado linfo-plasmocitário perivascular, perianexial e ao redor de filetes nervosos, pesquisa de BAAR negativa. O teste de Mitsuda foi positivo. Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Hanseníase indeterminada.
  2. B) Hanseníase wirchowiana.
  3. C) Micobacteriose atípica.
  4. D) Hanseníase tuberculoide.

Pérola Clínica

Hanseníase tuberculoide = lesão anestésica + granuloma não-caseoso + infiltrado perineural + Mitsuda positivo.

Resumo-Chave

A hanseníase tuberculoide é uma forma paucibacilar da doença, caracterizada por forte resposta imune celular, resultando em poucas lesões bem delimitadas, anestesia e teste de Mitsuda positivo, com baciloscopia geralmente negativa.

Contexto Educacional

A hanseníase tuberculoide representa uma das formas clínicas da doença de Hansen, causada pelo Mycobacterium leprae. É caracterizada por uma forte resposta imune celular do hospedeiro, o que resulta em um número limitado de lesões cutâneas e nervosas, com baixa carga bacilar (paucibacilar). A epidemiologia da hanseníase ainda é relevante em regiões endêmicas, sendo uma doença de notificação compulsória e de grande impacto social devido às sequelas neurológicas. A fisiopatologia da forma tuberculoide envolve uma resposta Th1 robusta, que controla a proliferação bacilar, mas causa dano tecidual significativo, especialmente aos nervos periféricos. O diagnóstico é feito pela tríade clínica (lesões cutâneas com alteração de sensibilidade), neurológica (espessamento de nervos periféricos) e baciloscópica (negativa na forma tuberculoide). A histopatologia é fundamental, mostrando granulomas epitelióides bem definidos com infiltrado perineural e células de Langhans. O teste de Mitsuda positivo reforça o diagnóstico. O tratamento da hanseníase tuberculoide é feito com politerapia paucibacilar (rifampicina e dapsona) por 6 meses, conforme as diretrizes da OMS. O prognóstico é geralmente bom se o tratamento for iniciado precocemente, evitando sequelas neurológicas permanentes. Pontos de atenção incluem a identificação e manejo das reações hansênicas e o acompanhamento das neuropatias.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da hanseníase tuberculoide?

Clinicamente, a hanseníase tuberculoide apresenta poucas lesões (1 a 5), bem delimitadas, com bordas elevadas e centro atrófico, frequentemente com anestesia e anidrose. O acometimento neural é proeminente.

Qual a importância do teste de Mitsuda no diagnóstico da hanseníase?

O teste de Mitsuda avalia a resposta imune celular do paciente ao bacilo de Hansen. É positivo na forma tuberculoide (boa resposta imune) e negativo na virchowiana (baixa resposta imune), auxiliando na classificação da doença.

Quais achados histopatológicos são sugestivos de hanseníase tuberculoide?

A histopatologia revela granulomas bem formados, não-caseosos, compostos por células epitelióides e gigantes tipo Langhans, com infiltrado linfo-plasmocitário perivascular, perianexial e, crucialmente, perineural. A pesquisa de BAAR é geralmente negativa.

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