Hanseníase Tuberculoide: Diagnóstico e Características Clínicas

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 35 anos apresenta, há 3 anos, uma única lesão no terço inferior da perna esquerda caracterizada por placa com centro hipocrômico, anestésica e bordas moderada- mente elevadas (imagem a seguir). Baciloscopia: negativa; exame anatomopatológico: infiltrado inflamatório granulo-matoso perineural e perianexial, com pesquisa de BAAR negativa; reação de Mitsuda: positiva. É correto afirmar que

Alternativas

  1. A) não há evidências para diagnóstico de hanseníase, pois a baciloscopia foi negativa.
  2. B) se trata de hanseníase indeterminada, pois apresenta uma única lesão cutânea.
  3. C) o diagnóstico é de hanseníase tuberculoide, mesmo sem o achado do bacilo.
  4. D) o diagnóstico é de hanseníase dimorfa, pois a reação de Mitsuda foi positiva.

Pérola Clínica

Hanseníase tuberculoide: lesão única/poucas, anestésica, Mitsuda positiva, baciloscopia negativa, granuloma perineural.

Resumo-Chave

A hanseníase tuberculoide é uma forma paucibacilar da doença, caracterizada por uma resposta imune celular robusta ao Mycobacterium leprae. Isso resulta em poucas lesões cutâneas bem delimitadas, anestesia e baciloscopia negativa, mas com uma reação de Mitsuda positiva, indicando boa imunidade.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. Sua apresentação clínica varia amplamente, dependendo da resposta imune do hospedeiro, sendo classificada em paucibacilar (PB) e multibacilar (MB). A hanseníase tuberculoide é uma das formas paucibacilares, caracterizada por uma resposta imune celular robusta. Clinicamente, a hanseníase tuberculoide manifesta-se com uma ou poucas lesões cutâneas bem definidas, geralmente placas hipocrômicas ou eritematosas, com bordas elevadas e centro anestésico. O comprometimento neural é proeminente, com espessamento de nervos periféricos e perda de sensibilidade na área da lesão. A baciloscopia, que pesquisa bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) em esfregaços de linfa, é tipicamente negativa nesta forma devido à baixa carga bacilar. O diagnóstico é estabelecido pela tríade clínica (lesão cutânea com alteração de sensibilidade, espessamento de nervo periférico e baciloscopia positiva ou negativa conforme a forma). A histopatologia da lesão cutânea revela um infiltrado inflamatório granulomatoso perineural e perianexial, com pesquisa de BAAR geralmente negativa. A reação de Mitsuda positiva reforça o diagnóstico de hanseníase tuberculoide, indicando uma boa resposta imune celular. O tratamento é feito com politerapia específica, e o reconhecimento precoce é fundamental para prevenir incapacidades.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da hanseníase tuberculoide?

A hanseníase tuberculoide é caracterizada por uma ou poucas lesões cutâneas bem delimitadas, geralmente placas hipocrômicas ou eritematosas, com bordas elevadas e centro atrófico, e classicamente apresentam anestesia. Pode haver espessamento de nervos periféricos adjacentes.

Qual a importância da reação de Mitsuda no diagnóstico da hanseníase?

A reação de Mitsuda avalia a imunidade celular do paciente ao Mycobacterium leprae. Positiva na hanseníase tuberculoide (indicando boa imunidade) e negativa na hanseníase virchowiana (indicando baixa imunidade), auxiliando na classificação imunológica e prognóstica, mas não é diagnóstica por si só.

Por que a baciloscopia pode ser negativa na hanseníase tuberculoide?

Na hanseníase tuberculoide, a forte resposta imune celular do hospedeiro controla a proliferação do Mycobacterium leprae, resultando em uma baixa carga bacilar. Consequentemente, a pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) na baciloscopia é frequentemente negativa, classificando-a como forma paucibacilar.

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