Hanseníase Paucibacilar: Tratamento e Manejo na APS

UFAM/HUGV - Hospital Universitário Getúlio Vargas - Manaus (AM) — Prova 2015

Enunciado

Clarice de 32 anos está com duas manchas hipocromicas em região medial do antebraço esquerdo, não sabe a quanto tempo. Percebeu após o parto de sua filha, há três meses. Às vezes, a mancha doe, porém em geral, é dormente. Você a orienta sobre seu diagnóstico de Hanseníase e:

Alternativas

  1. A) explica que deve ser tratada na própria Unidade de Saúde e por 18 meses (esquema para Paucibacilares)
  2. B) esclarece a paciente de que os encaminhamentos para a unidade de referência são necessários sempre após a suspeita de caso novo de Hanseníase.
  3. C) explica que deve ser tratada na própria Unidade de Saúde da Família e por seis meses (esquema para Paucibacilares)
  4. D) explica que os membros da família (contatos intra- domiciliares) se tiverem cicatriz de BCG não necessitam fazer segunda dose

Pérola Clínica

Hanseníase Paucibacilar → Tratamento na Atenção Primária por 6 meses (Rifampicina + Dapsona).

Resumo-Chave

O tratamento da Hanseníase Paucibacilar (PB) é realizado na Atenção Primária à Saúde (Unidade de Saúde da Família) e tem duração de 6 meses, utilizando o esquema de Poliquimioterapia (PQT) com Rifampicina e Dapsona. Não há necessidade de encaminhamento para unidades de referência para iniciar o tratamento, e a vacina BCG em contatos intradomiciliares é uma medida preventiva importante.

Contexto Educacional

A Hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, vias aéreas superiores, olhos e testículos. O diagnóstico é essencialmente clínico-epidemiológico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e/ou baciloscopia positiva. A classificação em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) orienta o esquema terapêutico. No caso da Hanseníase Paucibacilar, caracterizada por até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa, o tratamento é realizado com Poliquimioterapia (PQT) por 6 meses. O esquema PQT-PB inclui Rifampicina (600 mg, dose mensal supervisionada) e Dapsona (100 mg/dia, autoadministrada). É fundamental que o tratamento seja iniciado e acompanhado na Atenção Primária à Saúde (APS), sem a necessidade de encaminhamento para unidades de referência, facilitando o acesso e a adesão do paciente. Além do tratamento do caso índice, a vigilância dos contatos intradomiciliares é crucial. A avaliação clínica e a aplicação da vacina BCG (se indicada, para aqueles sem cicatriz ou com apenas uma) são medidas preventivas importantes. A Hanseníase pode apresentar reações imunológicas (reações hansênicas) durante ou após o tratamento, que requerem manejo específico. A educação do paciente sobre a doença, tratamento e prevenção de incapacidades é um pilar fundamental do cuidado.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico clínico da Hanseníase Paucibacilar?

O diagnóstico clínico da Hanseníase Paucibacilar é baseado na presença de uma ou mais manchas hipocrômicas ou avermelhadas com alteração de sensibilidade (dormência, dor), associadas ou não a espessamento de nervos periféricos. A baciloscopia é negativa ou com poucos bacilos.

Qual o esquema de tratamento para Hanseníase Paucibacilar e onde é realizado?

O esquema de tratamento para Hanseníase Paucibacilar (PQT-PB) consiste em Rifampicina (dose mensal supervisionada) e Dapsona (dose diária autoadministrada), por 6 meses. O tratamento é realizado na própria Unidade de Saúde da Família (Atenção Primária).

Qual a importância da vacina BCG para contatos de Hanseníase?

A vacina BCG é recomendada para contatos intradomiciliares de Hanseníase que não apresentam cicatriz vacinal ou que possuem apenas uma cicatriz. Ela confere proteção parcial contra a doença, sendo uma medida de saúde pública importante na prevenção.

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