USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Paciente de 35 anos, procura a Unidade de Saúde da Família com queixa de uma mancha esbranquiçada na perna direita. O paciente nega dores, prurido ou outras queixas em relação à mancha, que percebeu há cerca de 2 anos e vem aumentando de tamanho, lentamente. Nega perda de força ou parestesias no membro afetado. Paciente nega tabagismo, uso de bebida alcoólica, de medicamentos ou de qualquer problema de saúde. Ao exame, o médico de família e comunidade (MFC) percebe a mancha hipocrômica, de cerca de 6 cm de diâmetro, com perda de sensibilidade tátil, térmica e dolorosa. Também percebeu o nervo fibular à direita mais espessado. Não encontrou outras alterações de pele ou outros nervos espessados.Com esses achados, a melhor conduta do MFC é:
Hanseníase: mancha hipocrômica + anestesia + nervo espessado → iniciar politerapia para prevenir sequelas.
A hanseníase é diagnosticada clinicamente pela tríade: lesão de pele com alteração de sensibilidade, espessamento neural e baciloscopia positiva (nem sempre presente). O tratamento, mesmo para formas paucibacilares, deve ser iniciado prontamente com politerapia, conforme o esquema adequado, para evitar incapacidades.
A hanseníase, ou doença de Hansen, é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. É uma condição de saúde pública relevante no Brasil, exigindo diagnóstico e tratamento precoces para evitar a transmissão e o desenvolvimento de incapacidades. O diagnóstico é fundamentalmente clínico, baseado na identificação de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e, em alguns casos, baciloscopia positiva. A apresentação clínica da hanseníase é variada, mas a presença de uma mancha hipocrômica ou avermelhada com perda de sensibilidade (tátil, térmica e dolorosa) e o espessamento de um nervo periférico, como o fibular, são achados altamente sugestivos. A classificação da hanseníase em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) é crucial para a definição do esquema terapêutico. A forma paucibacilar geralmente se manifesta com até cinco lesões de pele e baciloscopia negativa, enquanto a multibacilar apresenta mais de cinco lesões ou baciloscopia positiva. O tratamento da hanseníase é realizado com politerapia (MDT - Multi-Drug Therapy), disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema padrão para hanseníase paucibacilar é Rifampicina e Dapsona por 6 meses. Para a hanseníase multibacilar, utiliza-se Rifampicina, Dapsona e Clofazimina por 12 meses. A opção A, que sugere Rifampicina, Clofazimina e Dapsona por 6 meses, não corresponde aos esquemas padrão da Organização Mundial da Saúde ou do Ministério da Saúde do Brasil para PB ou MB, o que pode indicar uma questão com gabarito controverso ou um protocolo específico não amplamente difundido. Contudo, o ponto central é a necessidade de iniciar a politerapia.
Os sinais incluem manchas na pele com perda de sensibilidade (tátil, térmica, dolorosa), e/ou espessamento de nervos periféricos, como o fibular, ulnar ou auricular.
O tratamento precoce com politerapia é crucial para interromper a transmissão da doença, evitar a progressão do dano neural e prevenir o desenvolvimento de incapacidades físicas permanentes.
A hanseníase é classificada em paucibacilar (PB), com até 5 lesões e baciloscopia negativa, e multibacilar (MB), com mais de 5 lesões ou baciloscopia positiva, definindo esquemas de politerapia distintos.
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