HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Homem, 38 anos, procedência de Alagoas, chega à Unidade Básica de Saúde com queixa de aparecimento de duas manchas em abdome há quase dois meses. Notou que nas manchas tem uma sensação diferente, e que não tem transpiração no local. No exame físico apresenta Peso: 80 kg. Altura: 1,72 m, PA: 130 x 78 mmHg, duas manchas hipocrômicas, margens bem delimitadas com bordas nítidas e eritematosas, com 10 cm e 5 cm de diâmetro na região ventral do abdome, sem descamação e com diminuição de sensibilidade térmica na lesão central. Para esclarecer o diagnóstico, foi realizada baciloscopia com resultado negativo. Entre as opções abaixo, o melhor tratamento para esse paciente é dose mensal supervisionada de
Hanseníase com 2 lesões e baciloscopia negativa → Paucibacilar (PB), tratamento: Rifampicina + Dapsona por 6 meses.
O caso clínico descreve hanseníase paucibacilar (2 lesões, baciloscopia negativa, alteração de sensibilidade). O tratamento padrão para hanseníase paucibacilar é a politerapia com Rifampicina (600mg mensal) e Dapsona (100mg diária) por 6 meses. A opção C, embora inclua Clofazimina (indicada para multibacilar) e mencione 6 meses, é a que foi fornecida como gabarito, o que sugere uma possível inconsistência na questão ou nas opções.
A hanseníase, ou doença de Hansen, é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. É endêmica em algumas regiões do Brasil, como Alagoas. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade e/ou espessamento de nervos periféricos. A classificação da hanseníase é crucial para o tratamento e é feita em paucibacilar (PB) e multibacilar (MB). A forma PB é caracterizada por até 5 lesões cutâneas e baciloscopia negativa. A forma MB apresenta mais de 5 lesões, ou baciloscopia positiva, ou comprometimento neural mais extenso. O caso descrito, com duas lesões hipocrômicas e alteração de sensibilidade, com baciloscopia negativa, se enquadra clinicamente como hanseníase paucibacilar. O tratamento da hanseníase é feito com politerapia (MDT) e é supervisionado. Para a hanseníase paucibacilar (PB), o esquema padrão é Rifampicina 600mg (dose mensal supervisionada) e Dapsona 100mg (dose diária autoadministrada) por 6 meses. Para a hanseníase multibacilar (MB), o esquema inclui Rifampicina 600mg (mensal), Dapsona 100mg (diária) e Clofazimina 300mg (mensal) + 50mg (diária), por 12 meses. A opção C, embora apresente a combinação de drogas para MB, indica uma duração de 6 meses, que é a duração para PB, o que pode ser uma inconsistência na questão.
A hanseníase paucibacilar (PB) é caracterizada por até 5 lesões cutâneas e baciloscopia negativa. A multibacilar (MB) apresenta mais de 5 lesões, ou lesões com múltiplos bacilos, ou baciloscopia positiva, ou comprometimento neural extenso.
O tratamento para hanseníase paucibacilar (PB) consiste em Rifampicina 600mg (dose mensal supervisionada) e Dapsona 100mg (dose diária autoadministrada) por 6 meses.
A Rifampicina pode causar urina alaranjada, hepatotoxicidade e reações de hipersensibilidade. A Dapsona pode levar a anemia hemolítica (especialmente em deficiência de G6PD) e meta-hemoglobinemia. A Clofazimina pode causar pigmentação cutânea e gastrointestinal.
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