SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020
A Hanseníase parece ser uma das mais antigas doenças que acomete o homem. As referências mais remotas datam de 600 a.C., e procedem da Ásia e da África que, juntas podem ser consideradas o berço da doença. A melhoria das condições de vida e o avanço do conhecimento científico modificaram, significativamente, o quadro da hanseníase que, atualmente, tem tratamento e cura. No Brasil, cerca de 47000 casos novos são detectados a cada ano, sendo 8% deles em menores de 15 anos. Com base nos seus conhecimentos, indique a forma de transmissão da Hanseníase, e especifique quais os grupos de risco de infecção frente a um ""caso índice"".
Transmissão = Vias aéreas superiores (contato prolongado) + Suscetibilidade individual.
A hanseníase é transmitida por gotículas das vias aéreas de pacientes multibacilares sem tratamento; o risco é maior em contatos domiciliares prolongados.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente com tropismo por pele e nervos periféricos. O Brasil é um país de alta endemicidade, o que torna o diagnóstico precoce e o exame de contatos estratégias pilares do Programa Nacional de Controle da Hanseníase. A transmissão depende da carga bacilar do infectante e da resposta imunológica do hospedeiro. A maioria da população possui resistência natural ao bacilo, mas aqueles que desenvolvem a doença podem apresentar formas paucibacilares (baixa carga, boa imunidade celular) ou multibacilares (alta carga, baixa imunidade celular específica). A investigação de contatos visa identificar casos secundários e aplicar a quimioprofilaxia ou vacinação com BCG conforme protocolos vigentes, interrompendo a cadeia de transmissão na comunidade.
A transmissão ocorre de uma pessoa doente (forma multibacilar: virchowiana ou dimorfa), sem tratamento, para outra pessoa suscetível. O agente etiológico, Mycobacterium leprae, é eliminado pelas vias aéreas superiores (secreções nasais, gotículas de saliva) durante a fala, tosse ou espirro. É necessário um contato próximo, íntimo e prolongado para que a infecção ocorra na maioria dos casos, pois o bacilo tem baixa infectividade e alta patogenicidade.
O principal grupo de risco são os contatos domiciliares do caso índice, definidos como qualquer pessoa que resida ou tenha residido com o paciente nos últimos cinco anos. Além desses, contatos sociais próximos (vizinhos, colegas de trabalho ou escola) que mantenham convivência prolongada também são considerados sob risco e devem ser avaliados clinicamente para detecção precoce de sinais da doença e aplicação de medidas preventivas.
Não. Assim que o paciente inicia o tratamento com a poliquimioterapia (PQT), a carga bacilar viável cai drasticamente, e ele deixa de ser infectante em poucos dias. Portanto, não há necessidade de isolamento social, separação de utensílios domésticos ou restrição de contato físico, sendo fundamental combater o estigma associado à doença e incentivar a adesão ao tratamento completo para a cura definitiva.
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