Hanseníase Ocular: O Significado das Pérolas de Íris

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Em um quadro de uveíte anterior crônica granulomatosa, a presença de "pérolas de íris" sugere a seguinte etiologia:

Alternativas

  1. A) Hanseníase
  2. B) Tuberculose
  3. C) Sífilis
  4. D) Neurofibromatose

Pérola Clínica

Pérolas de íris + Uveíte anterior granulomatosa = Hanseníase.

Resumo-Chave

As pérolas de íris são achados patognomônicos da hanseníase, representando pequenos lepromas miliares na superfície da íris em quadros de uveíte granulomatosa.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com alta afinidade por nervos periféricos e pele, mas que frequentemente acomete o globo ocular. O envolvimento ocular pode ocorrer por invasão direta do bacilo ou por mecanismos imunomediados (estados reacionais). A uveíte anterior crônica granulomatosa é uma das formas mais graves de acometimento, podendo levar ao desenvolvimento de catarata, glaucoma secundário e atrofia do bulbo ocular. As pérolas de íris são achados raros, mas altamente específicos. Elas surgem da disseminação hematogênica de bacilos para o estroma da íris. O tratamento envolve a poliquimioterapia (PQT) padrão para a doença sistêmica, associada ao manejo tópico da inflamação ocular com corticosteroides e midriáticos para prevenir sinéquias posteriores. A detecção precoce dessas alterações é fundamental para o prognóstico visual do paciente.

Perguntas Frequentes

O que são pérolas de íris na hanseníase?

As pérolas de íris são pequenos nódulos esbranquiçados, brilhantes e arredondados, semelhantes a grãos de areia ou pérolas, localizados na superfície da íris ou na margem pupilar. Elas são consideradas patognomônicas da hanseníase, especificamente na forma virchowiana (multibacilar). Histologicamente, representam lepromas miliares compostos por aglomerados de macrófagos repletos de bacilos (Mycobacterium leprae). Com a evolução da doença, essas pérolas podem aumentar de tamanho, fundir-se ou até se desprender e cair na câmara anterior do olho. Sua presença indica uma infecção crônica e persistente pelo bacilo no trato uveal anterior.

Quais outras manifestações oculares ocorrem na hanseníase?

Além da uveíte anterior e das pérolas de íris, a hanseníase pode causar madarose (perda dos cílios e sobrancelhas), lagoftalmo (impossibilidade de fechar totalmente as pálpebras devido à paralisia do nervo facial), hipestesia corneana (por comprometimento do nervo trigêmeo), ceratite e episclerite. O lagoftalmo é particularmente perigoso, pois leva à exposição corneana crônica, ulcerações e potencial cegueira. A denervação autonômica também pode causar hipossecção lacrimal, agravando o quadro de olho seco. O acompanhamento oftalmológico é obrigatório em todos os pacientes com diagnóstico de hanseníase para prevenir sequelas irreversíveis.

Como diferenciar a uveíte da hanseníase de outras causas?

A uveíte da hanseníase é tipicamente granulomatosa e crônica. Diferencia-se da sarcoidose e da tuberculose pela presença das pérolas de íris e pela associação com outras alterações neurológicas faciais, como a perda de sensibilidade corneana e o lagoftalmo. Enquanto a sarcoidose frequentemente apresenta nódulos de Koeppe e Busacca e alterações radiológicas pulmonares, a hanseníase foca no comprometimento de nervos periféricos e pele. O diagnóstico definitivo é clínico-epidemiológico, reforçado pela baciloscopia ou biópsia de pele, mas o achado ocular de pérolas de íris é um marcador clínico extremamente forte para a etiologia hansênica.

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