CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
Estruturas nodulares, esbranquiçadas, brilhantes, pequenas, de aspecto peroláceo, localizadas na superfície da íris, algumas podendo se projetar em direção à câmara anterior. O estudo anatomopatológico destes nódulos revela histiócitos e bacilos. Entre as doenças abaixo, qual pode apresentar o achado descrito?
Nódulos peroláceos na íris + bacilos/histiócitos = Hanseníase (Lepromas).
Os 'nódulos de pérola' são achados patognomônicos da hanseníase ocular, representando pequenos lepromas miliares na superfície da íris.
A hanseníase ocular é uma das manifestações mais ricas em sinais clínicos na oftalmologia infecciosa. O envolvimento da íris ocorre principalmente na forma virchowiana (multibacilar). Os nódulos descritos representam a resposta tecidual à presença do M. leprae. O conhecimento desses achados é fundamental para médicos em áreas endêmicas, permitindo o diagnóstico de hanseníase em pacientes que por vezes apresentam a uveíte como manifestação inicial ou principal da doença.
Os nódulos de pérola são pequenas estruturas esbranquiçadas, brilhantes e peroláceas localizadas na superfície ou na margem da íris. Eles são, na verdade, minúsculos lepromas miliares. Do ponto de vista anatomopatológico, consistem em aglomerados de histiócitos (células de Virchow) repletos de Mycobacterium leprae. Eles podem se desprender e cair na câmara anterior, sendo um sinal altamente específico da infecção ocular pela lepra.
Diferente dos nódulos de Koeppe (na margem pupilar) ou Busacca (no estroma) vistos na sarcoidose ou tuberculose, que são acúmulos de células inflamatórias inespecíficas, os nódulos de pérola da hanseníase têm um aspecto mais sólido, brilhante e 'perolado'. Além disso, a presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) no estudo anatomopatológico confirma a etiologia hansênica.
A presença desses nódulos indica uma alta carga bacilar no trato uveal anterior. Eles são marcadores de atividade da doença ou de sequelas de infiltração bacilar prévia. Além do valor diagnóstico, sua presença alerta para o risco de uveíte crônica, atrofia iriana e outras complicações que podem levar à perda visual severa se a doença sistêmica e ocular não for controlada.
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