UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Uma mulher de 40 anos consulta por um quadro de 6 meses de perda de força muscular distal em membro inferior direito e membro superior esquerdo, com dor no último mês. Diz não ter procurado ajuda antes pela instalação insidiosa e por falta de tempo e estresse. O exame neurológico confirma força muscular moderadamente reduzida nos membros descritos, predominantemente na dorsiflexão do pé direito e na flexão palmar do punho esquerdo. Há alterações sensitivas, nas mesmas distribuições. Não há ataxia de marcha, porém tem dificuldade em manter as pálpebras cerradas à direita e um reflexo corneano abolido ipsilateralmente. Uma eletroneuromiografia atestou um quadro de neuropatia periférica axonal. Qual achado adicional seria o mais esperado, assumindo uma única causa para todas as manifestações de doença?
Neuropatia periférica axonal assimétrica + lesão de nervo facial + máculas hipocrômicas anestésicas → Hanseníase.
O quadro de neuropatia periférica axonal assimétrica (mononeuropatia múltipla), associado a comprometimento de nervos cranianos (reflexo corneano abolido, dificuldade em manter pálpebras cerradas) e a achados cutâneos como máculas hipocrômicas com perda de sensibilidade, é altamente sugestivo de Hanseníase, especialmente na forma tuberculoide ou dimorfa.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. A neuropatia é uma característica central da doença, podendo levar a incapacidades permanentes se não diagnosticada e tratada precocemente. O quadro clínico de mononeuropatia múltipla, com perda de força e sensibilidade em distribuições assimétricas, é altamente sugestivo. O envolvimento de nervos cranianos, como o trigêmeo (responsável pelo reflexo corneano) e o facial (dificuldade em manter pálpebras cerradas), é um achado importante que reforça a suspeita de hanseníase. A lesão do nervo trigêmeo pode levar à anestesia corneana e à ceratite, enquanto a do nervo facial causa lagoftalmo. A presença de lesões cutâneas, como máculas hipocrômicas ou eritematosas com perda de sensibilidade térmica e tátil, é um sinal cardinal da doença. A eletroneuromiografia confirmando uma neuropatia periférica axonal, em conjunto com os achados clínicos, direciona o diagnóstico. É crucial que o residente esteja atento a essa apresentação atípica de neuropatia para não atrasar o diagnóstico e tratamento, prevenindo sequelas graves.
A neuropatia na hanseníase é tipicamente periférica, axonal, assimétrica (mononeuropatia múltipla) e afeta predominantemente nervos superficiais e mais frios. Pode haver comprometimento motor, sensitivo e autonômico, além de nervos cranianos.
A perda de sensibilidade (anestesia) em máculas hipocrômicas ou eritematosas é um sinal patognomônico da hanseníase, indicando o envolvimento dos nervos cutâneos pelo Mycobacterium leprae.
A hanseníase se diferencia pela assimetria da neuropatia (mononeuropatia múltipla), envolvimento de nervos cranianos (como o trigêmeo e facial), presença de lesões cutâneas anestésicas e, em casos avançados, espessamento de nervos periféricos palpáveis.
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