UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Homem de 48 anos apresenta há 1 ano úlceras espontâneas indolores em ambos os pés, conforme a imagem, que se iniciaram a partir de calosidades, além de deformidades dos pododáctilos. AP: “adormecimento” nas mãos e pés há mais de 5 anos, com perda progressiva de força de preensão.Exames laboratoriais: HIV e FTA-Abs não reagentes; hemograma, glicemia, hemoglobina glicada, TSH e enzimas canaliculares hepáticas normais. A hipótese diagnóstica é:
Úlceras indolores + neuropatia periférica sensitiva e motora progressiva, com exames metabólicos normais → suspeitar de hanseníase.
O quadro clínico de úlceras indolores em áreas de calosidade, deformidades dos pés e neuropatia periférica progressiva (parestesia e perda de força) em um paciente com exames metabólicos e infecciosos comuns negativos é altamente sugestivo de hanseníase, uma doença que afeta primariamente nervos periféricos e pele.
A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. Apesar de ser uma doença antiga, ainda representa um desafio de saúde pública em muitas regiões, incluindo o Brasil, e seu diagnóstico precoce é crucial para evitar incapacidades e deformidades permanentes. O quadro clínico apresentado, com úlceras indolores em pés a partir de calosidades, deformidades dos pododáctilos e uma história de "adormecimento" e perda progressiva de força em mãos e pés por mais de 5 anos, é altamente sugestivo de hanseníase na sua forma neuropática. A perda de sensibilidade é um achado cardinal, levando a traumas repetidos e úlceras que não cicatrizam devido à ausência de percepção dolorosa. O diagnóstico diferencial de neuropatias periféricas é vasto, incluindo diabetes mellitus, sífilis, HIV, deficiências vitamínicas e outras. No entanto, a exclusão dessas causas comuns (glicemia, HbA1c, HIV e FTA-Abs normais) reforça a suspeita de hanseníase. A confirmação diagnóstica é feita pela baciloscopia de esfregaço intradérmico ou biópsia, e o tratamento é realizado com politerapia específica, que deve ser iniciada prontamente para prevenir a progressão da doença e as sequelas.
A hanseníase neuropática se manifesta por parestesias, perda de sensibilidade (tátil, térmica, dolorosa), fraqueza muscular progressiva, atrofias e deformidades (como "mão em garra" ou "pé caído"), e úlceras tróficas indolores em áreas de anestesia.
As úlceras são indolores devido à perda de sensibilidade dolorosa causada pela neuropatia periférica. A lesão nervosa impede a percepção da dor, levando a traumas repetidos e formação de úlceras que não cicatrizam adequadamente.
O diagnóstico é primariamente clínico-epidemiológico. A baciloscopia de esfregaço intradérmico (linfa) é o exame laboratorial confirmatório, buscando a presença do Mycobacterium leprae. Biópsia de pele ou nervo também pode ser realizada.
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